Entrevista

Aristóteles Drummond: "O Marcello Caetano falava de tudo até ao 24 de abril de 1974"

Aristóteles Drummond: 'O Marcello Caetano falava de tudo até ao 24 de abril de 1974'
Ana Taborda 09 de outubro
Biografia Nome:

Aristóteles Drummond

Cargo:

Antigo gestor e jornalista brasileiro

Nascimento:

Brasil

Nacionalidade:

Brasileira

O antigo gestor e jornalista brasileiro participou em caçadas com os milionários Vinhas, conviveu com políticos como Américo Thomaz e ajudou muitos empresários. Esteve mais de 200 vezes em Portugal.

Quando lançou Profissão Exilado, a dedicatória que Manuel Vinhas lhe fez dizia assim: "Para o Aristóteles Drummond, amigo inestimável e que tão grande colaboração deu a este livro, dedico estas linhas da minha nova Profissão e agradeço como Exilado o quanto tem ajudado a suavizar a condição." A relação entre os dois era, à época, muito próxima: tinha sido a secretária do gestor e jornalista brasileiro, hoje com 76 anos, a enviar os convites para o lançamento do livro e era no seu apartamento que o empresário Manuel Vinhas ficava sempre que ia ao Rio – foi também da sua casa que saiu em janeiro de 1977, para uma cirurgia da qual nunca recuperou: morreu nesse mês, no Brasil. Depois do 25 de Abril de 1974, Aristóteles Drummond ajudou vários empresários e políticos portugueses. Algumas dessas histórias estão no livro que vai lançar este mês – Memórias... Fatos e Fotos de uma Vida. Outras contou-as agora à SÁBADO. Por exemplo: foi com ele que Marcello Caetano comprou toalhas, panelas e outros utensílios domésticos para a sua casa no bairro do Flamengo, no Rio. A ligação da família a Portugal era antiga: o avô de Aristóteles, Augusto de Lima Júnior, liderou a missão brasileira no duplo centenário da Exposição do Mundo Português (Lisboa, 1940). Foi nessa altura que se tornou próximo de Salazar.


Foi o primeiro brasileiro a receber Marcello Caetano para um almoço no Rio de Janeiro, em 1974. Como surgiu esse encontro?

Fui visitá-lo no Mosteiro de São Bento [onde o sucessor de Salazar foi acolhido quando chegou ao Brasil], expliquei de quem era neto e que queria visitar o Professor. Ele marcou a hora e eu fui lá. Disse-lhe: "Queria fazer um almoço para o senhor, reunir os amigos." Ele concordou e, no dia, fui buscá-lo, cerimoniosamente, num Dodge grande. Quando estávamos no carro falei quem é que ia estar e terminei dizendo: "é um almoço só de homens, porque o senhor é viúvo." O Marcello ficou quieto um minuto ou dois e disse: ‘Muito bem que é um almoço só de homens, mas pelo facto de eu ser viúvo podias ter chamado umas senhoras.’ Tinha um ótimo sentido de humor. Só não queria falar no pós-25 de Abril.

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