Estudo da Randstad Research revela que 25,7% do total de empregados está há mais de 20 anos no mesmo trabalho. Análise permitiu ainda concluir que há mais pessoas empregadas, apesar das qualificações ainda serem baixas.
Um em cada quatro profissionais está no mesmo emprego há mais de 20 anos, revela um estudo da Randstad Research enviado à SÁBADO relativo ao segundo trimestre de 2026, que tem por base resultados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Um em cada quatro profissionais está no mesmo emprego há 20 anosiStockphoto
Em termos numéricos, isto significa que 1,39 milhões de profissionais tem uma antiguidade superior a 20 anos no seu emprego atual - o que equivale a 25,7% do total de empregados.
“Estes são sinais de estabilidade, assente tanto na experiência acumulada como na capacidade de adaptação dos profissionais”, afirma em comunicado Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad.
Esta situação seguia uma tendência crescente até à pandemia. A partir de 2020, inverteu para uma tendência negativa.
Emprego jovem aumentou
Segundo o Randstad Research, o mercado de trabalho português registou ainda um aumento da população ativa (população com 15 ou mais anos que se encontra disponível para trabalhar) em 53,5 mil pessoas, durante o segundo trimestre de 2026. Com esta subida, Portugal supera, assim, pela primeira vez na história, a barreira dos 5,7 milhões de ativos - o que representa um crescimento de 2,2%.
“Os dados do segundo trimestre de 2026 revelam um mercado de trabalho muito resiliente, que alcançou recordes históricos na população ativa", frisa Isabel Roseiro.
Quanto ao número de pessoas empregadas, este também aumentou em 99 mil, alcançando quase os 5,4 milhões de profissionais. Entre os 4,57 milhões que são trabalhadores por conta de outrem, 85,5% tem contrato sem termo (sem data de fim prevista).
A taxa de emprego fixou-se, assim, nos 58,3% no segundo trimestre de 2026, quando no primeiro trimestre a taxa era de 57,3%. Segundo o Randstad Research, o aumento verificou-se sobretudo nas administrações públicas, que aumentou em 7.650 pessoas (+1%) face ao período homólogo.
A nível de funções, o maior grupo profissional corresponde a assistentes operacionais, operários e auxiliares. Concluiu-se ainda que 37,2% de todo o emprego público atua nas áreas cruciais da saúde e educação.
Isto significa, por consequência, que o desemprego diminuiu em 45,5 mil pessoas - sendo que destes, 40,2% estão há um ano à procura de emprego. Também a taxa de desemprego jovem (16-24 anos) recuou para 18,3%. No primeiro trimestre, esta taxa situava-se nos 19,1%.
Baixas qualificações continuam a ser um problema
Apesar de estes indicadores serem maioritariamente positivos, uma análise às qualificações dos trabalhadores voltou a expor alguns desafios estruturais.
Atualmente, 29% de todas as pessoas empregadas em Portugal continuam a ter um baixo nível de qualificação (no máximo, o ensino secundário obrigatório), segundo o Randstad Research. Em contrapartida, 36,1% dos empregados possuem o ensino superior completo.
Para Isabel Roseiro, "o grande desafio passa agora por continuar a apostar na formação continuada para acompanhar a evolução das empresas”.
Teletrabalho aumentou
No que diz respeito ao regime de teletrabalho, este aumentou em 33,1 mil pessoas - invertendo assim a queda que se registou no início do ano. Atualmente, abrange 1,15 milhões de profissionais - o que equivale a 21,3% da população empregada.
Segundo o Randstad Research, o modelo híbrido (presencial e em casa) reforça a sua posição como principal modalidade, sendo a escolha de 40,8% dos teletrabalhadores.
Ao nível geográfico, apenas a Península de Setúbal e Grande Lisboa registaram valores acima a média nacional.
Há menos empresas dissolvidas
Relativamente ao tecido empresarial, este manteve uma tendência positiva, com a constituição de empresas a superar largamente as dissoluções. Só em junho de 2026, foram constituídas 3.639 entidades, face às 793 dissolvidas.
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