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Das sardinhas em lata aos pastéis de bacalhau com queijo da Serra. Como António Quaresma criou um império

Tiago Carrasco 06 de janeiro de 2026 às 23:00

Foi pastor de ovelhas, vendeu sidra, deu aulas e deixou os lisboetas incrédulos quando associou sardinhas em lata a carrósseis e recheou pastéis de bacalhau com queijo da Serra. Hoje o seu grupo fatura 50 milhões de euros por ano com um modelo de negócio que cobra caro a turistas para redistribuir riqueza por pastores e artesãos. Até lhe chamam o Robin dos Bosques da Serra da Estrela.

Se havia coisa que angustiava António Quaresma era o declínio do número de ovelhas na sua Serra da Estrela e a vida miserável daqueles que as pastavam. Pelo andar da carruagem, pensava, era o próprio Queijo da Serra, milenar, que enfrentava a extinção. Por isso, há muito que magicava uma forma criativa de vender o produto aos turistas de Lisboa. A epifania aconteceu às 17h do dia 14 de março de 2015, enquanto esperava pelo filho no Museu da Cerveja, no Terreiro do Paço, de que era proprietário: “Um brasileiro partiu um pastel de bacalhau ao meio e meteu maionese lá dentro”, recorda António Quaresma, 62 anos, à SÁBADO, no escritório da O Valor do Tempo (VDT) no Rossio, com uma janela a dar para o castelo de São Jorge e uma das paredes revestida com um painel de monitores sintonizados nas câmaras de vigilância das 54 lojas do grupo. “Foi então que tive a ideia de introduzir o queijo da Serra dentro do pastel de bacalhau”.

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