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Primeira conferência para fim dos combustíveis fósseis começa hoje na Colômbia

Lusa 24 de abril de 2026 às 07:55

O documento final da COP30 não contemplou qualquer referência ao fim dos combustíveis fósseis, supostamente por oposição de países produtores de petróleo.

Meia centena de países reúne-se a partir desta sexta-feira na Colômbia na primeira conferência mundial para o fim dos combustíveis fósseis, no que pode ser o "primeiro passo global" para o fim do petróleo.

petroleo combustiveis Charlie Riedel/AP

A conferência vai decorrer entre hoje e 29 de abril na cidade de Santa Marta e acontece no meio de uma crise mundial ligada precisamente aos combustíveis fósseis, devido à guerra no Médio Oriente, mas foi agendada ainda no ano passado, no seguimento da última conferência da ONU sobre o ambiente, a COP30, que decorreu em Belém, Brasil.

Em novembro de 2025 no final da COP30 o documento final não contemplou qualquer referência ao fim dos combustíveis fósseis, supostamente por oposição de países produtores de petróleo.

Ironicamente foi no Dubai, em 2023, que o texto final da COP28 contemplou pela primeira vez uma referência ao afastamento gradual dos combustíveis fósseis, uma retórica que não teve seguimento no ano seguinte, no Azerbaijão e que desapareceu definitivamente do documento final em 2025, no Brasil.

Por esse motivo a ministra do Ambiente da Colômbia, Irene Vélez, anunciou em Belém a realização da reunião de Santa Marta, organizada em conjunto com os Países Baixos.

A primeira conferência internacional para a eliminação dos combustíveis fósseis deverá produzir "um relatório com ações concretas" para os países participantes adotarem, disse recentemente a vice-ministra do Planeamento Ambiental da Colômbia, Luz Dary Carmona.

A conferência será organizada em torno de três pilares - transformação da dependência dos combustíveis fósseis, transformação da oferta e da procura e relações e cooperação multilaterais.

As associações portuguesas de defesa do ambiente Zero e Oikos consideram o encontro de Santa Marta como "uma oportunidade decisiva para desbloquear a ação climática global" e impulsionar a transição energética e que será o "primeiro passo global para fim dos fósseis".

As duas organizações saúdam, em comunicado conjunto, a criação da conferência como "uma oportunidade urgente para acelerar a ação climática concreta e coordenada", e destacam a iniciativa da Rede Lusófona para o Clima -- aliança informal lançada pela ZERO e pela OIKOS durante a COP30 -- que assinala o início da conferência de Santa Marta com a apresentação de um manifesto.

"Não se trata de negociar um texto, mas de forjar uma nova realidade diplomática, com uma coligação global de países dispostos a trabalhar em conjunto para gerir uma eliminação rápida, justa e financiada dos combustíveis fósseis", notam as organizações no comunicado a propósito da conferência.

E dizem também esperar que a conferência produza resultados, nomeadamente o compromisso político internacional com a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, o fim de novos projetos de explorações pelos Estados participantes e a eliminação progressiva dos subsídios aos combustíveis fósseis.

A conferência junta figuras políticas de alto nível. Portugal está presente mas não representado pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho.

Entre os 53 países que confirmaram presença estão alguns produtores de carvão, petróleo ou gás, como o Canadá, Brasil e Austrália, além da União Europeia e países como a França, Alemanha, Espanha e Reino Unido.

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