Presidência da UE quer evitar filas nos postos de combustível perante eventuais problemas
Ministros dos Transportes da UE vão debater hoje, numa videoconferência informal, os impactos do conflito no Médio Oriente para o setor, nomeadamente a pressão sobre o combustível para a aviação, quando já se assiste a aumentos de custos e subidas de preços.
A presidência do Conselho da União Europeia (UE), assumida este semestre por Chipre, disse esta terça-feira querer evitar filas nas bombas de gasolina caso o bloco comunitário tenha problemas de abastecimento de combustível devido ao conflito no Médio Oriente.
"Temos diante de nós a possibilidade - e sublinho a palavra possibilidade - de uma escassez de combustível para transporte. Esta crise geopolítica em evolução no Médio Oriente destacou que a Europa pode enfrentar problemas de abastecimento de combustível a curto prazo e isto é algo que precisamos discutir", disse o ministro dos Transportes, Comunicações e Obras de Chipre, Alexis Vafeades, em Bruxelas.
Em declarações à imprensa antes de uma reunião informal dos ministros dos Transportes da UE centrada nos impactos conflito no Irão, causado pelos ataques norte-americanos e israelitas, o governante cipriota defendeu que a União deve "estar consciente da situação".
"Mas também temos, a médio e longo prazo, uma questão de procura que precisa de ser neutralizada. Para ser claro, o que quero dizer é que precisamos de estar preparados para evitar filas nos postos de combustível caso isto venha a acontecer, mas também precisamos de eliminar de forma permanente a possibilidade de existirem filas nos postos - e isso faz parte da discussão que espero que tenhamos hoje", acrescentou Alexis Vafeades.
Questionado sobre eventual escassez de combustível para a aviação, dados os alertas do setor, o ministro de Chipre rejeitou que a UE esteja "numa situação perigosa".
"Não chegámos a esse ponto, estamos apenas perante uma possibilidade, mas se isso vier a acontecer afetará a conectividade e todos os cidadãos e, portanto, temos de estar atentos e preparados, esse é o ponto principal", adiantou.
Os ministros dos Transportes da UE vão debater hoje, numa videoconferência informal, os impactos do conflito no Médio Oriente para o setor, nomeadamente a pressão sobre o combustível para a aviação, quando já se assiste a aumentos de custos e subidas de preços.
A reunião surge antes de uma cimeira informal dos chefes de Governo e de Estado da UE, no final da semana em Chipre, e na qual se debaterão os impactos do conflito no Médio Oriente.
A presidência rotativa do Conselho da União, ocupada este semestre por Chipre, quer assegurar uma forte coordenação da UE para garantir o abastecimento de combustível, preservar a conectividade em todos os modos de transporte e evitar respostas nacionais fragmentadas ou descoordenadas.
Portugal estará representado na reunião virtual pelo ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.
A discussão surge na véspera de a Comissão Europeia divulgar, na quarta-feira, um pacote de medidas para aliviar a crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente, no âmbito das quais pede mais teletrabalho para evitar deslocações e alternativas às viagens de avião e de carro para implicar menos consumo energético.
As leis da UE obrigam os Estados-membros a manter reservas estratégicas para 90 dias, tanto de petróleo como de gás.
No que diz respeito ao petróleo, cabe aos Estados-membros decidir que parte dessas reservas de 90 dias corresponde a petróleo bruto e que parte corresponde a produtos refinados, incluindo querosene e combustível de aviação.
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