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Pinto Luz responde a críticas de CEO da Ryanair e exige "respeito, verdade e seriedade”

Negócios 29 de janeiro de 2026 às 12:57

Ministro das Infraestruturas e da Habitação recorreu às redes sociais para responder ao CEO da Ryanair, tanto sobre a crítica às taxas dos Açores, como às limitações que existem em Lisboa.

Uma semana depois da “discussão” acesa com Elon Musk, o CEO da Tesla, Michael O’Leary deixou o homem mais rico do mundo a falar sozinho – e a fazer publicidade gratuita à Ryanair -, disparando “farpas” à atuação das autoridades nacionais, seja sobre as taxas elevadas no aeroporto dos Açores, seja sobre os travões artificiais que existem na infraestrutura da capital. Mas não ficou sem resposta. Miguel Pinto Luz respondeu à letra nas redes sociais, exigindo “respeito, verdade e seriedade”.
"A Portela está artificialmente esgotada”, disse O’Leary na apresentação das novas rotas para o próximo verão que deixaram o Humberto Delgado de fora dos planos da companhia. “O Governo português está a dizer-nos que a Portela está bloqueada nos 30 milhões de passageiros?”, questionou, sendo que Pinto Luz tem resposta fácil para esta crítica: “O Aeroporto Humberto Delgado ultrapassou 36 milhões de passageiros em 2025, acima do ‘limite’ que a própria Ryanair aponta”. Diz o ministro que “não há bloqueio político, há uma infraestrutura urbana a operar no seu máximo. Há ação concreta”, apontando, num “post” com vários “slides” que “foi aprovado um plano de expansão que permitirá alcançar 40-45 milhões de passageiros” na infraestrutura da capital com a qual, tem dito, “vamos ter de viver nos próximos 10 a 12 anos”.
Não há bloqueio político, há uma infraestrutura urbana a operar no seu máximo. Miguel Pinto Luz
Ministro das Infraestruturas
“Gatwick não tem 65 milhões de passageiros e dispõe de condições operacionais muito distintas. Gatwick também tem em curso um plano de expansão que inclui a construção de uma nova pista, um processo que demorará tanto tempo a concretizar como o novo aeroporto de Lisboa. Comparar números brutos (e errados) sem contexto operacional é, no mínimo, impreciso”, acrescenta Pinto Luz depois de O’Leary comparar ambos os aeroportos. “Gatwick só tem uma pista e recebe 65 milhões de passageiros por ano”, disse o CEO da Ryanair. O’Leary, que vê Lisboa limitada, disse também que está interessado em ficar com “slots” que a TAP venha a perder no âmbito de eventuais remédios na privatização de até 49,9% do seu capital. Mas, diz Pinto Luz, os “’slots’ seguem regras europeias. A atribuição de ‘slots’ segue estritamente a regulamentação europeia. TAP e Ryanair operam exatamente nas mesmas condições”. Um dos pontos em que o CEO da Ryanair tem insistido, associado ao esgotamento da capacidade da Portela, é na solução do Montijo, que permitiria responder rapidamente à crescente procura por voos para Lisboa. O’Leary quer, mas o Governo não. “O futuro está decidido e não passa pelo Montijo”, atira Pinto Luz.
O novo aeroporto será construído no Campo de Tiro de Alcochete, em Benavente. Miguel Pinto Luz
Ministro das Infraestruturas
“O Montijo é uma base aérea militar e não avançou por razões ambientais e de ordenamento do território”, diz, acrescentando que “o novo aeroporto será construído no Campo de Tiro de Alcochete, em Benavente”. Pinto Luz diz que “conhecemos bem os impactos negativos de ter um aeroporto no centro da cidade e escolhemos corrigir, não agravar, o problema, com respeito pelas populações e pelo ambiente”. Por último, Pinto Luz foca-se na atuação da Ryanair relativamente aos Açores, região na qual a companhia queria, primeiro, fazer um “hub”, e depois decidiu sair. A crítica? As taxas são elevadas, diz o CEO da Ryanair. “Nos Açores, a taxa de rota é a mais baixa da Europa e as taxas aeroportuárias mantêm-se competitivas. O resto é narrativa”, responde Pinto Luz, rematando que “Portugal é um país aberto à concorrência e ao investimento”. Contudo, alerta: O país “exige respeito, verdade e seriedade”. Enquanto “alguns vivem da polémica”, a “governação vive de factos, planeamento e resultados”, nota Pinto Luz, sublinhando nesta mesma publicação que “em Portugal, ficamos com a segunda”.
[Enquanto] alguns vivem da polémica (...) a governação vive de factos, planeamento e resultados. Miguel Pinto Luz
Ministro das Infraestruturas
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