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Restrições no Starshield abalaram forças ucranianas, porquê?

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O episódio aumentou as tensões entre Kiev e Washington, uma relação já fragilizada pelo alegado acordo entre Trump e Putin para aumentar as importações de petróleo russo, o que a Ucrânia considerou uma traição.

As restrições repentinas ao Starshield, versão militar do serviço de internet via satélite Starlink da SpaceX, alarmaram militares e autoridades governamentais ucranianas esta semana depois te terem sido relatados drones perdidos e missões interrompidas.  

Bombeiros em Kiev após ataque
Bombeiros em Kiev após ataque Ukrainian Emergency Service via AP

O episódio levantou questões sobre a dependência da Ucrânia do programa que tem garantido as suas operações e sobre quem é que controla o acesso ucraniano ao Starshield. 

O episódio aumentou as tensões entre Kiev e Washington, uma relação já fragilizada pelo alegado acordo entre Trump e Putin para aumentar as importações de petróleo russo, o que a Ucrânia considerou uma traição.  

"A paralisação do Starshield foi breve, durou apenas um dia, mas vários drones e outros sistemas foram afetados. Algumas missões falharam e perdemos drones porque as comunicações foram cortadas", referiu Yevhen Karas, comandante do 413º Regimento de Sistemas Não Tripulados Independentes da Ucrânia.  

O que é o Starshield?

O Starshield é um programa de satélites da SpaceX para governos e forças armadas. Construído com base na tecnologia Starlink, foi projetado para missões de segurança nacional e inclui comunicações seguras, tecnologia para observação da Terra e satélites equipados com sensores especializados.  

Além disso incorpora criptografia adicional e medidas de segurança para operações governamentais sensíveis através da utilização de milhares de satélites em órbitra terrestre para fornecer conectividade de banda larga a terminais na terra, incluindo áreas onde a infraestrutura convencional de internet não está disponível ou está danificada. 

O governo dos Estados Unidos é um dos principais clientes do Starshield. Aliás, o fundador e CEO da SpaceX, Elon Musk, afirmou esta semana que o governo norte-americano detém a propriedade e o controlo do sistema, pelo que as decisões sobre o seu uso cabem às Forças Armadas e, em última instância, ao presidente.  

Para que serve o programa?

Diferentemente do Starlink, o Starshield é personalizado para atender às necessidades governamentais. " Starshield é a versão que oferece velocidade muito maiores, melhor conectividade e não está disponível para civis, é exclusiva para militares", explicou Olena Tregub, fundadora e secretária-geral da Comissão Independente Anticorrupção da Ucrânia.  

Tregub afirmou que uma conectividade confiável e de alta velocidade é essencial para as operações militares ucranianas que envolvem drones unidades que se deslocam rapidamente por terra e ar. Isto porque os operadores precisam de transmissões de vídeo nítidas e em tempo real para identificar o que está a acontecer para poderem tomar decisões.  

O campo de batalha é cada vez mais digital e existe a necessidade de transmitir grandes volumes de informações exige conexões rápidas e confiáveis. "Não se trata apenas de conseguir conectar. Precisamos garantir que essa velocidade esteja disponível e que não seja reduzida", referiu Tregub à Associeted Press. 

O que aconteceu durante as restrições?

Militares ucranianos relataram que as restrições afetaram terminais que transmitem dados de alta velocidade, interferindo em algumas missões de drones e causando perdas quando os operadores não conseguira manter a comunicação com os drones em voo. 

A responsabilidade pelas restrições permaneceu incerta depois de Musk ter levantado questões sobre a possibilidade de haver interferências por parte de Washington. No entanto o Pentágono ainda não se prenunciou.  

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