A TAP vai ter novamente capital privado. O Governo anunciou a venda de 49,9% das ações à Lufthansa, com a possibilidade de reaver a longo prazo os 3,2 mil milhões investidos pelo Estado e pelos contribuintes no plano de reestruturação da empresa, Depois de levar a melhor sobre a proposta da Air France-KLM, a Lufthansa promete fazer a companhia aérea portuguesa levantar voo de vez nas mãos dos privados. Mas, o que está em cima da mesa?
TAP passa a ter capital alemãoManuel Moreira
1Quanto paga?
O grupo alemão vai pagar 1.205 milhões de euros por 44,5% da TAP, mas pode despender mais 118 milhões por 5% das ações previstas para os trabalhadores, caso estes decidam não ficar com parte do capital da transportadora. Acrescem ainda 58 milhões por ajustes temporais, como a taxa de emissão de bilhetes e serviços de refeições a bordo.
2Mais aviões a caminho
O acordo prevê também a compra de 117 aviões até 2035 e outros 130 depois desse ano, além de transferência de oito A350-900 para a TAP depois de 2030. Está também prevista a modernização da frota da Portugalia Airlines.
3Escola de aviação em Tancos
Para levar a melhor sobre a Air France-KLM, a Lufthansa 'acenou' também com uma escola de pilotos em Tancos, onde fará um investimento de 500 milhões de euros, levando à criação de 200 postos de trabalho. Além do investimento em tecnologia pretende também requalificar a base, incluindo a pista.
4Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira
Haverá uma rede de manutenção dos aviões em Portugal. A Lufthansa Technik AG, empresa que fornece serviços de manutenção, reparação e revisão para aeronaves, motores e componentes - subsidiária do Grupo Lufthansa - pretende investir 300 milhões de euros em Santa Maria da Feira, criando 700 postos de trabalho. Este investimento já estava previsto antes da entrada no capital da TAP.
5Segunda fase da venda
A Lufthansa poderá adquirir o restante capital da empresa em julho de 2028, com o pagamento de 863 milhões de euros pelos 50,1% remanescentes. O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, defendeu que a TAP deve "avançar para esta segunda fase", de modo a que o Estado e os contribuintes portugueses possam recuperar todo o dinheiro injetado na TAP, no caso 3,2 mil milhões de euros. Esta segunda fase prevê que o país fique com 5% de ações e dividendos da Lufthansa, no valor de 488 milhões de euros, "que até 2040 podem permitir recuperar 1.400 milhões de euros."
6Quem vai liderar a empresa?
A TAP vai continuar a ser liderada por Luís Rodrigues, o atual CEO. Segundo Miguel Pinto Luz, "não haverá cogestão" até os alemães terem poder para nomear o presidente da comissão executiva, ou seja, daqui a dois anos. No entanto, neste período em que a Comissão Europeia vai avaliar o negócio - uma vez que a Lufthansa já tem uma posição dominante no transporte aéreo europeu - , o Governo português entende ser "relevante dar à atual gestão alguma perenidade". Depois, a Lufthansa ficará com a gestão corrente e operacional contando com três administradores executivos, incluindo o CEO. Já o Estado português terá cinco de nove administradores, incluindo o presidente, que atualmente é Carlos Oliveira.
7Reforço no mercado americano
Atualmente, a Lufthansa tem 9% da quota de mercado na América do Sul, mas com a TAP vai aumentar para 20%. E a companhia portuguesa, por sua vez, reforça a posição no Atlântico Norte. "Com esta parceria com o grupo Lufthansa, a TAP passará a ser o grande player do Atlântico Sul e Norte", lembrou o ministro Miguel Pinto Luz.
8A força da Lufthansa
É um dos principais grupos de aviação da Europa, com uma frota de 737 aviões, que operam numa extensa rede de voos de passageiros e carga, através de várias companhias aéreas. Tem mais 219 aeronaves encomendadas, com entregas previstas para breve. No ano passado registou receitas de 39,5 mil milhões de euros, um recorde, e está entre as quatro maiores companhias aéreas do mundo, atrás das norte-americanas Delta Airlines, United Airlines e American Airlines.
9Grupo Air France KLM "desapontado
O grupo Air France-KLM estava na corrida pela entrada no capital da TAP, mas ofereceu menos 163 milhões do que a Lufthansa e acabou por ser preterido. Em comunicado, o grupo disse estar "desapontado" por não ter sido a primeira escolha do Governo português.
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