Passe Ferroviário Verde chega a Lisboa e ao Porto em setembro: O que muda e como funciona?
Alargamento pode ser vantajoso para quem só precisa de se deslocar de comboio, mas não de autocarro nem metro.
O Passe Ferroviário Verde (PFV) será alargado às áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, a partir da terceira semana de setembro. Até agora, as linhas de comboio abrangidas pelos serviços intermodais (Andante, no Porto, e Navegante, em Lisboa) estavam excluídas do passe de 20 euros, mas isso vai mudar no próximo mês. O Alfa Pendular e a primeira classe dos Intercidades continuam de fora.
A medida foi anunciada a 14 de agosto pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, durante o discurso da festa do partido, no Pontal. O objetivo, segundo o dirigente, é facilitar as deslocações de quem viaja diariamente para trabalhar ou estudar, bem como incentivar as viagens pelo país.
Qual é a diferença face ao que já estava em vigor?
O PFV foi implementado em outubro de 2024 e teve uma grande adesão, ultrapassando a marca de um milhão de passes vendidos. A novidade tornou possível viajar de comboio por todo o país por 20 euros por mês. Estão excluídas do passe as viagens no Alfa Pendular e a primeira classe do Intercidades.
Até agora, também não era possível usar esse passe para viagens entre linhas abrangidas pelos serviços intermodais (Andante, no Porto, e Navegante, em Lisboa). É isso que vai mudar a partir da terceira semana de setembro. Com o mesmo passe, essas duas áreas passam a estar abrangidas. Em Lisboa, a linha Fertagus, que liga a capital à margem sul do Tejo, também estará incluída.
Apesar da elevada adesão, há reclamações dos passageiros devido a falhas e atrasos no serviço. A medida que visa atrair mais passageiros para a Comboios de Portugal (CP) não vem, no entanto, acompanhada de um reforço nas infraestruturas e equipamentos.
Quanto custa?
O PFV tem um custo mensal de 20 euros. Também pode ser adquirido para um período de 60 ou 90 dias, com os preços de 40 e 60 euros, respetivamente. O passe é carregado no cartão CP ou na versão digital, integrada na aplicação gov.pt e na aplicação da CP.
A alteração vai poupar dinheiro aos passageiros?
A medida pode ser vantajosa para quem apenas precisar de usar comboios dentro e fora de Lisboa e Porto, mas não autocarros nem metro.
Os passageiros que utilizam os comboios das áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa pagam 30 a 40 euros por esse serviço, mensalmente. Se precisarem de andar de comboio fora dessas áreas, acresce o valor do passe da CP. Quem só precisar de se deslocar de comboio, passará a pagar 20 euros no total. Logo, poderá poupar entre 10 e 20 euros por mês.
Por exemplo, uma pessoa que se desloque de Santarém para Lisboa e depois ande de comboio na capital, teria de pagar 20 euros do PFV mais 30 ou 40 euros (consoante a modalidade) do Navegante. A partir de setembro, poderá usar apenas o PFV por 20 euros.
Já quem precisa de conjugar o comboio com metro e/ou autocarro, não sentirá nenhuma diferença, dado que continuará a precisar de ambos os passes.
A quem se destina?
O passe pode ser adquirido por qualquer residente em Portugal. Segundo o comunicado do Ministério das Infraestruturas, a medida visa estimular o uso de transportes públicos e desincentivar o recurso a carros.
Quanto custará a medida ao Estado?
O Governo estima uma despesa extra de 1,5 milhões de euros.
Com Isabel Dantas