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Portugal entrou em incumprimento em 2025, ano em que o investimento quase duplicou

16 de janeiro de 2026 às 17:37

·        Fechado o ano de 2025, o País entrou em incumprimento das metas europeias de reciclagem de embalagens no ano em que o investimento no sistema quase duplicou (+98M€), num total de 220M€
Triagem de lixo: investimento e incumprimento em Portugal, 2025
·        O reforço histórico do financiamento não se traduziu em melhores resultados, confirmando a necessidade de uma mudança estrutural no sistema ·        As quantidades encaminhadas para reciclagem apresentam um crescimento residual de 2% face ao período homólogo ·        Vidro e ECAL (Embalagens de Cartão para Alimentos Líquidos) continuam a ser os materiais mais críticos: o vidro registou uma quebra na separação para reciclagem de -1% e a ECAL de -7% ·        Um ano após o aumento dos valores de contrapartida (VC) pagos aos parceiros municipais, não se verificou uma evolução estrutural que permita colocar o sistema num caminho sustentável de cumprimento das metas   Os portugueses separaram para reciclagem um total de 486 990 toneladas de embalagens, em 2025, o que significa um crescimento residual de 2% face a 2024 (+10 385 toneladas). Estes resultados colocam Portugal em incumprimento das metas europeias de reciclagem de embalagens, uma vez que em 2025, a taxa de retoma foi de 60,2% (apuramento preliminar). Num ano decisivo para o cumprimento das metas de reciclagem de embalagens - ano em que Portugal devia estar a garantir a recolha seletiva de 65% de todas as embalagens colocadas no mercado - os resultados continuam a revelar um desfasamento estrutural entre o investimento realizado e o desempenho efetivo da recolha seletiva, tornando-se evidente que o modelo atual não está a responder de forma eficaz nem a conseguir transformar recursos em desempenho mensurável. Apesar do reforço financeiro histórico no Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE), o crescimento da reciclagem de embalagens mantém-se residual, confirmando que o problema não está necessariamente na falta de recursos, mas na forma como o sistema está desenhado. De recordar que, em 2025, os serviços de recolha seletiva de resíduos de embalagens financiados ao SIGRE pela Sociedade Ponto Verde e por outras entidades gestoras, atingiram o montante de 220M€, o que significa um reforço de 98M€ ao sistema, após a decisão de aplicar novos valores de contrapartida (VC) – valores pagos aos sistemas municipais e multimunicipais pelo serviço de recolha e triagem de resíduos de embalagens – através de um Despacho do Governo, que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2025. Importa sublinhar que as embalagens continuam a ser o fluxo específico dos resíduos urbanos com melhor performance, o que reforça a ideia de que tão importante como a atuação dos cidadãos é a existência de um serviço de recolha seletiva conveniente, eficiente e ajustado às realidades urbanas e demográficas do País. “Ao fim de um ano com valores de contrapartida reforçados, o sistema continua a entregar resultados muito aquém do que é exigido a nível europeu. Isto demonstra que a reciclagem de embalagens não se resolve apenas com mais financiamento. É preciso repensar o modelo, exigir eficiência e qualidade no serviço de recolha e triagem para garantir que cada euro investido gera mais embalagens recolhidas nos ecopontos”, afirma a CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais. Conforme consta no Relatório do Estado do Ambiente 2025, publicado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) existe uma necessidade de otimizar o serviço de recolha seletiva multimaterial, nomeadamente através da expansão e otimização da rede de ecopontos e dos circuitos de recolha, a implementação dos sistemas de recolha por proximidade ou porta-a-porta, que melhor se adequam às características do espaço urbano e densidades populacionais das áreas a servir, e uma melhor articulação entre as Entidades Gestoras. Uma leitura que reforça os alertas que a Sociedade Ponto Verde tem vindo a fazer de forma consistente nos últimos anos. Para a SPV, o atual contexto exige uma mudança na gestão do sistema. Não é possível gerir e melhorar aquilo que não se mede e não se analisa, nem exigir melhores resultados sem transparência, métricas claras e responsabilidade sobre o desempenho. Um ano após o aumento dos valores de contrapartida, não se verificou uma evolução estrutural que permita afirmar que o sistema está num caminho sustentável de cumprimento das metas. Adicionalmente, a fiscalização deve também fazer parte de um sistema equilibrado e justo. A experiência demonstra a sua importância para a alteração efetiva de comportamentos, sem nunca substituir a necessidade de um serviço com qualidade e conveniência. “Estamos num momento em que os recursos existem. O que falta é garantir que o sistema funciona. Não podemos continuar a aceitar que mais investimento produza exatamente os mesmos resultados. A reciclagem de embalagens precisa de uma mudança estrutural e de uma gestão orientada para o desempenho, para que Portugal possa cumprir as metas a que está legalmente obrigado. Não podemos justificar que um ano após o aumento dos VC não haja um único mês com melhores resultados do que no ano anterior”, conclui Ana Trigo Morais. Seguindo a tendência dos últimos resultados, o vidro e as embalagens de cartão para alimentos líquidos continuam a destacar-se como os materiais que mais preocupações levantam. A reciclagem de vidro teve um decréscimo de -1% face ao período homólogo, tendo sido recicladas 212 693 toneladas de embalagens de vidro (-1 177). Já o ECAL, apresenta um decréscimo de -7%, tendo sido recolhidas 7 724 toneladas deste material (-616). Quanto aos restantes materiais, os dados do SIGRE revelam que foram encaminhadas para a reciclagem 164 531 toneladas de papel/cartão (+4%), 89 125 toneladas de plástico (+4%) e 2 374 toneladas de alumínio (-4%).   Lisboa, 16 de janeiro de 2026   Sobre a Sociedade Ponto Verde Desde 1996 que a Sociedade Ponto Verde (SPV) tem como missão contribuir para a promoção da economia circular através do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE), assente num forte compromisso com a inovação e I&D, a literacia ambiental e a cidadania ativa. Entidade privada sem fins lucrativos e líder de mercado, é responsável pelo encaminhamento para reciclagem e valorização dos resíduos de embalagens resultantes do grande consumo. Atualmente, serve cerca de 8 000 clientes, apoiando-os na conceção de embalagens mais circulares e propondo novas soluções para melhorar os processos de recolha, separação e tratamento. Para reforçar a comunicação e sensibilização, em 2025, foi criada a Ponto Verde, uma nova marca com uma imagem renovada, que visa estar mais próxima dos cidadãos, criando um movimento agregador que une gerações de norte a sul do País e ilhas numa jornada coletiva pela reciclagem de embalagens e pela sustentabilidade.

Mais informações para a comunicação social: Raquel Pelica | raquelpelica@lpmcom.pt  | 961 571 726 Catarina Simões Farinha | catarinafarinha@lpmcom.pt | 932 260 035
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