Vai uma injecção de oxigénio?

Vai uma injecção de oxigénio?
Lucília Galha 05 de novembro de 2016

É o que acontece na ozonoterapia. Confuso? O ozono é sobretudo oxigénio. E muitas doenças são causadas por um défice dele. Casos de êxito de um tratamento polémico

Há três anos que só ia à escola esporadicamente, às vezes uma vez por semana, nas piores alturas uma a cada mês. Deixou praticamente de andar, porque não conseguia pousar o pé ou sequer tocar no joelho. E chorava. Muito. As dores eram tão insuportáveis que também não conseguia dormir. "Desesperada, pedia-me para ir para o hospital: aquelas duas, três horas em que lhe davam medicação, eram as únicas em que descansava", conta à SÁBADO Ana Paula, mãe de Bruna Oliveira, de 16 anos. A adolescente só queria estar na cama, engordou muito - chegou aos 90 quilos com pouco mais de 1,60 metros - e deixou de se ver ao espelho. Só resistia fortemente medicada e estava deprimida: dizia que preferia morrer, que lhe cortassem a perna, queria esmagar o seu joelho.

Quando, em Maio de 2016, ao fim de apenas três tratamentos de ozonoterapia, Bruna conseguiu tocar no joelho esquerdo, a modesta conquista pareceu-lhe um milagre. Razão: desde os 10 anos que sofria de uma dor crónica e insuportável. Foi depois de um acidente tolo na escola, estava a fazer o pino, um colega atirou uma mochila, atingiu-a e ela bateu com o joelho no chão. As queixas começaram e nunca se resolveram.

Nos últimos seis anos, fez três artroscopias do joelho (intervenção cirúrgica, por laparoscopia, à estrutura interna de uma articulação), experimentou injecções de corticóides, frequentou a consulta da dor e também fez acupunctura. Nada resultou. A médica que a seguia no Hospital da Estefânia dizia que ela tinha o joelho "de uma pessoa idosa" - sem cartilagem nem músculo. Chegou a um ponto em que já não restavam alternativas senão uma cirurgia de joelho aberto (desaconselhada para uma pessoa da sua idade) ou colocar uma prótese (ainda pior, ao fim de 15 anos estaria numa cadeira de rodas).

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