Os resultados do trabalho foram sexta-feira publicados num artigo científico na revista Chem Catalysis.
Uma investigação coliderada pelo investigador Pedro Paiva, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, desenvolveu um novo tipo de enzima "mutante" capaz de 'devorar' material de poliuretano presente em espumas usadas no fabrico de calçado.
Segundo comunicado da FCUP, esta enzima é proveniente de uma bactéria encontrada em amostras de composto orgânico da Dinamarca e destacou-se "pela sua capacidade de degradar o poliuretano".DR/Arquivo
Os resultados do trabalho, liderado por Pedro Paiva e Rosie Graham, esta da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, foram sexta-feira publicados num artigo científico na revista Chem Catalysis.
O projeto En'Zync, que integra uma equipa do grupo de Bioquímica Computacional da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), é financiado em perto de sete milhões de euros pela Fundação Novo Nordisk, tendo como objetivo "encontrar e desenvolver novas enzimas, de origem fúngica ou bacteriana, que consigam degradar plásticos".
"Esta é uma demonstração inicial que mostra que podemos degradar o poliuretano com enzimas, sem ser necessário processá-lo previamente. É algo bastante significativo", declarou Pedro Paiva, citado em comunicado este sábado enviado à Lusa.
Segundo comunicado da FCUP, esta enzima é proveniente de uma bactéria encontrada em amostras de composto orgânico da Dinamarca e destacou-se "pela sua capacidade de degradar o poliuretano".
A equipa decidiu "colocar à prova" esta enzima, primeiro usando simulações computacionais "complexas" para perceber como interage com materiais semelhantes ao plástico, e depois "recorreram a uma série de ferramentas de bioquímica para alterar a estrutura das enzimas".
"A grande vantagem da utilização de enzimas na reciclagem é que elas funcionam em condições moderadas, ou seja, a temperaturas e pressões mais baixas do que as atualmente utilizadas na maioria das tecnologias de reciclagem", explica a FCUP em comunicado.
Trabalharam, então, o ADN dessa bactéria, alterando o código genético "para substituir alguns dos principais aminoácidos que consituem a enzima", e, após "muitas tentativas e erros", chegaram a uma "enzima mutante" que revelou "enorme apetite por poliuretano" nos testes.
Estes resultados, espera-se, podem vir a "ajudar a reciclar resíduos de plástico provenientes de sapatos, colchões, esponjas de cozinha e muitos outros produtos" que utilizam aquele material.
Neste trabalho conjunto, coube à FCUP realizar simulações computacionais com estas enzimas, depois testadas em experiências na Dinamarca, procurando responder a uma produção global de cerca de 22 milhões de toneladas de poliuretano por ano, no mundo, ou seja, mais de 5% de todos os plásticos colocados no mercado.
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