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Inteligência Artificial está a ser usada para criar novos vírus

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Descoberta pode proporcionar novas formas de tratamento de infeções que se tornam resistentes a antibióticos. Há, no entanto, preocupações de que esta tecnologia pode ser utilizada de forma maliciosa para criar novas doenças.

A Inteligência Artificial (IA) está a ser usada para projetar sequências completas de ADN e, assim, criar vírus totalmente novos. 

Inteligência Artificial está a ser usada para criar novos vírus
Inteligência Artificial está a ser usada para criar novos vírus Joerg Carstensen/picture-alliance/dpa/AP Images

Esta foi a primeira vez que cientistas, ao recorrerem à IA, conseguiram conceber genomas inteiros do vírus a partir do zero. Anteriormente, este tipo de ferramentas já haviam sido utilizadas para desenvolver novos antibióticos. Agora, segundo a , estes vírus poderão ser usados para infetar organismos com bactérias perigosas.

Na opinião dos investigadores, esta foi uma descoberta "muito significativa", uma vez que pode ajudar no tratamento de doenças. Segundo os especialistas, não representa qualquer ameaça para os seres humanos.

"Esta foi a primeira vez que a IA generativa foi usada para projetar um genoma completo, algo que se pode replicar e desempenhar outras funções dentro das células. Isso foi um território novo para nós", contou à BBC Brian Hie, professor assistente da Universidade Stanford.

Esta tecnologia funciona de forma semelhante aos grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT. Neste caso, os modelos de IA conhecidos como Evo1 e Evo2 - treinados com códigos genéticos de vírus, bactérias, plantas e pessoas - são capazes de prever a "linguagem da vida" ao invés de palavras. Depois, foram aperfeiçoados para produzir um tipo de vírus conhecido como bacteriófago, que infeta apenas espécies bactéricas.

Os cientistas de Stanford, na Califórnia, selecionaram posteriormente os 302 projetos de IA mais promissores e sintetizaram-nos em laboratório. Destes, 16 mostraram ser eficazes na eliminação da bactéria E. coli, que vive no intestino e pode provocar infeções graves.

Quando os resultados foram partilhados com toda a equipa, "a sala explodiu em aplausos espontâneos", recordou o professou Brian Hie.

Esta descoberta pode agora proporcionar novas formas de tratamento de infeções que se tornam resistentes a antibióticos. Além disso, demonstra a capacidade da IA de projetar uma nova biologia que vai além do mundo natural e que é conhecida como a biologia sintética. Segundo Brian Hie, esta área tem potencial para "melhorar drasticamente a saúde humana" através do desenvolvimento de medicamentos e terapias.

Há, no entanto, preocupações de que esta tecnologia pode ser utilizada de forma maliciosa para criar novas doenças.

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