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Ver vídeo: O palco onde a História continua a acontecer
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Durante décadas foi o cenário das grandes festas da corte portuguesa. Hoje, o Palácio Nacional e Jardins de Queluz continua a receber concertos, espetáculos, visitas, jardins premiados e uma das mais singulares tradições nacionais. Muito mais do que um palácio preservado, é um lugar que continua vivo.
Há palácios que impressionam pela dimensão. Outros, pela
riqueza artística. O Palácio Nacional e Jardins de Queluz distingue-se
por outra razão: foi pensado para ser vivido. Ao contrário de muitas
residências reais europeias concebidas para afirmar poder político, Queluz
nasceu para celebrar o prazer de viver. Música, jardins, teatro, festas,
passeios de barco, encontros e lazer marcaram durante décadas o quotidiano
daquela que foi uma das residências preferidas da família real portuguesa. Mais
de dois séculos depois, continua a ser precisamente essa vocação que distingue
o monumento.
É essa continuidade que serve de ponto de partida para o
segundo episódio de O Tempo de Sintra, a série que assinala os 30
anos da classificação da Paisagem Cultural de Sintra como Património Mundial da
UNESCO. Em vez de olhar para Queluz como um espaço cristalizado no século
XVIII, o filme mostra um património que continua a transformar-se e a receber
novas formas de ocupação, preservando a sua identidade sem perder ligação ao
presente.
Um palácio pensado para celebrar
A história de Queluz começa muito antes da imagem que hoje
conhecemos. A antiga casa de campo da Casa do Infantado foi transformada, a
partir de 1747, por vontade do futuro D. Pedro III, num ambicioso projeto
arquitetónico destinado a servir de residência de lazer da família real. Poucos
anos depois, o casamento com D. Maria fez crescer ainda mais a ambição do
conjunto, dando origem a um dos maiores exemplos do rococó europeu.
As grandes salas sucedem-se como cenários preparados para
receber música, bailes, receções diplomáticas e cerimónias. A Sala do Trono, a
Sala da Música ou a Sala dos Embaixadores testemunharam alguns dos momentos
mais marcantes da monarquia portuguesa, mas também continuam hoje a acolher
concertos, eventos institucionais e iniciativas culturais que devolvem vida aos
mesmos espaços.
É precisamente essa continuidade que diferencia Queluz. O
edifício preserva a memória da corte, mas nunca deixou de ser um espaço de
encontro.
Jardins desenhados para serem percorridos
Se o interior surpreende pela exuberância decorativa, é no
exterior que se percebe plenamente a relação entre arquitetura e paisagem.
Os jardins foram concebidos como prolongamento natural do
palácio. Lagos ornamentais, esculturas mitológicas, jogos de água, canais
navegáveis e extensos parterres desenham um cenário onde cada percurso revela
uma nova perspetiva.
No século XVIII, a corte passeava de gôndola pelo Canal dos
Azulejos enquanto músicos tocavam num pequeno pavilhão instalado sobre a água.
Ao cair da noite, archotes iluminavam os percursos, criando uma atmosfera
cénica que fazia destes jardins um dos maiores espaços de entretenimento da
corte portuguesa.
Hoje, muitos desses espaços continuam acessíveis aos
visitantes. O Jardim Botânico, cuidadosamente recuperado pela Parques de
Sintra, conquistou dois Prémios Europa Nostra em 2018, distinguindo uma
intervenção que conciliou conservação patrimonial e valorização
paisagística.
Quando o património continua a transformar-se
Depois da partida da família real para o Brasil, em 1807,
Queluz conheceu novas páginas da história portuguesa.
Foi residência de D. João VI, acolheu D. Carlota Joaquina
durante o seu exílio político e assistiu aos últimos dias de D. Pedro IV, que
morreu no quarto onde também tinha nascido. Cada geração deixou marcas
diferentes num palácio que acompanhou algumas das maiores transformações do
país.
No século XX, o monumento assumiu novas funções. Parte do
edifício passou a receber chefes de Estado em visitas oficiais a Portugal,
mantendo uma utilização institucional que permanece até hoje. Paralelamente, a
classificação como Monumento Nacional e, mais tarde, a integração na Rede de
Residências Reais Europeias reforçaram a importância internacional deste
património.
Desde que assumiu a gestão do monumento, em 2012, a Parques
de Sintra tem promovido sucessivas campanhas de conservação, devolvendo ao
edifício a cor original das fachadas, recuperando jardins históricos e
desenvolvendo novos projetos de valorização patrimonial.
Um lugar onde o passado continua presente
Há outro elemento que ajuda a compreender porque Queluz
continua a ser um espaço vivo.
É nos jardins do palácio que está sediada a Escola
Portuguesa de Arte Equestre. Os cavalos continuam diariamente a ocupar este
espaço, perpetuando uma tradição iniciada na corte portuguesa do século XVIII.
Foi também aqui que nasceu a Biblioteca de Arte Equestre D. Diogo de Bragança,
a única biblioteca nacional dedicada exclusivamente a esta arte.
A presença da escola reforça uma ideia essencial: preservar
património não significa apenas conservar edifícios. Significa garantir que os
lugares continuam a produzir conhecimento, cultura e experiências.
É exatamente essa a proposta de O Tempo de Sintra.
Em Queluz, o visitante encontra um palácio onde continuam a acontecer
concertos, jardins onde se continua a passear, cavalos que mantêm viva uma
tradição secular e espaços que permanecem preparados para receber quem os
visita.
Mais do que recordar um tempo passado, Queluz demonstra que
o património continua a escrever novas histórias.
O Tempo de Sintra: cinco episódios para descobrir uma Paisagem Cultural única
Para assinalar os 30 anos da classificação da Paisagem Cultural de Sintra como Património Mundial da UNESCO, a Parques de Sintra e a Medialivre apresentam O Tempo de Sintra, uma série documental composta por cinco episódios que percorrem alguns dos seus monumentos mais emblemáticos. Cada filme parte de uma ideia diferente sobre o tempo – imaginação, festa, permanência, encontro e gesto – revelando uma nova forma de olhar para este património vivo.
Episódio 2: O Tempo do Prazer: Palácio Nacional e Jardins de Queluz
Episódio 3: O Tempo do Poder: Palácio Nacional de Sintra
Episódio 4: O Tempo do Encontro: Parque e Palácio de Monserrate
Episódio 5: O Tempo do Gesto: Escola Portuguesa de Arte Equestre
Cinco lugares. Cinco formas de olhar para o património. Cinco histórias que mostram porque continua Sintra a ser uma das paisagens culturais mais extraordinárias do mundo.
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