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Zero exige esclarecimentos sobre etapa da Volta a Portugal que passa por "zona crítica" do Gerês

Lusa 11 de julho de 2026 às 09:31

Associação ambientalista lembra que o Parque Nacional da Peneda-Gerês "é a única área classificada como Parque Nacional em Portugal e que está "sujeita a regras específicas de circulação, acesso e uso do solo rústico".

A Zero exigiu este sábado esclarecimentos à Federação de Ciclismo e ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) sobre a etapa da Volta a Portugal em bicicleta que passa em "zona crítica" do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Parque Nacional da Peneda-Gerês iStockphoto

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável refere que a "passagem da prova pela Mata de Albergaria [no concelho de Terras de Bouro, distrito de Braga] e outras zonas protegidas do Gerês, carece de esclarecimento público".

A Zero conta que tomou conhecimento, através da apresentação do percurso da 87.ª Volta a Portugal em bicicleta, de que a 7.ª etapa (13 de agosto, Vieira do Minho -- Termas do Gerês) atravessa o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), "incluindo a subida inédita a Germil [concelho de Ponte da barca] e uma incursão em território espanhol junto à fronteira".

A associação ambientalista lembra que o PNPG "é a única área classificada como Parque Nacional em Portugal, integra a Zona Especial de Conservação Peneda/Gerês e inclui zonas de proteção parcial e total - como a Mata de Albergaria, classificada Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa - sujeitas a regras específicas de circulação, acesso e uso do solo rústico".

"A Zero reconhece o valor de dar visibilidade internacional ao território do Gerês, mas sublinha que essa visibilidade não pode ser conseguida à revelia dos instrumentos de proteção que existem precisamente para salvaguardar este património único", defende.

Segundo a associação ambientalista, "a organização de um evento desportivo de grande escala --- com caravana publicitária, viaturas de apoio, afluência de público e cobertura televisiva internacional - numa área nacional classificada levanta questões que exigem resposta pública e atempada".

Nesse sentido, a Zero questiona que autorizações foram solicitadas e concedidas pelo ICNF para a passagem da prova pelo PNPG, incluindo pelas zonas de proteção parcial e total.

"Foi realizada alguma avaliação de impacte relativo à perturbação sobre a fauna e habitats classificados? Como se compatibiliza a circulação da caravana publicitária e viaturas de apoio com as restrições de trânsito em vigor nas vias florestais do Parque e com o risco de incêndio?", questiona também a Zero.

A associação ambientalista revela que solicitou à Federação Portuguesa de Ciclismo e ao ICNF esclarecimentos sobre a situação, apelando a estas entidades e também à organização da prova "a tornarem público o traçado exato e a documentação de autorização referente à passagem pelo Parque Nacional, permitindo um escrutínio informado por parte da sociedade civil".

"Áreas protegidas não são um cenário disponível para qualquer evento: a sua classificação implica limites que têm de ser respeitados, sob pena de se esvaziar de sentido o próprio regime de proteção. A Zero continuará a acompanhar este processo e reserva-se o direito de solicitar formalmente ao ICNF e à tutela do ambiente esclarecimentos adicionais",acrescenta a Zero.

A 87.ª edição da Volta a Portugal em bicicleta vai decorrer entre 05 e 16 de agosto, unindo Lisboa e Porto ao longo de 1.388 quilómetros, distribuídos por um prólogo, nove etapas em linha e um contrarrelógio.

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