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Alte e começa o baile: à descoberta de uma aldeia típica em pleno Algarve

Ricardo Santos
Ricardo Santos 01 de março de 2026 às 07:57

Estivemos no Algarve de que quase não se fala, para conhecer uma aldeia com herança cultural, beleza natural e vontade de ir mais longe. Alte fica no concelho de Loulé, a apenas meia hora da praia, mas quem lá vive sente os efeitos da interioridade e do despovoamento.

Na A2 que leva milhões de portugueses, todos os anos, ao Algarve, não há nenhuma placa que indique o caminho para Alte. É preciso tomar a saída para São Bartolomeu de Messines e seguir em direção a Messines de Baixo para chegar ao local que, em 1938, foi finalista do concurso da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal - ganhou Monsanto. Alte fica entre o barrocal e a serra do Caldeirão, tem pouco mais de 1500 habitantes e uma história contada pelo casario branco, chaminés típicas e chão empedrado. Está rodeada por quatro cerros que a protegem dos olhares curiosos, mas é quando entramos nela, ao passear por aquelas ruas, que descobrimos o património, como a Igreja Matriz da Senhora da Assunção, que terá tido origem no século XIII (renovada nos XVII e XVIII) e combina diferentes estilos - manuelino, barroco e rococó. Tem uma lenda associada, segundo a qual Dona Bona, uma endinheirada proprietária da região a mandou ali erguer depois de o pároco ter começado o serviço religioso sem ela, que se atrasara. A morgada terá dito: “Alto! Aqui mesmo mandarei edificar uma igreja.” E assim poderá ter acontecido, como conta o painel de azulejos na praça onde está hoje a igreja.

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