Questionado sobre se o primeiro-ministro deveria demitir Luís Neves, o secretário-geral do PCP salientou que o partido não tem por hábito "pedir a cabeça de ministros".
O secretário-geral do PCP considerou esta sexta-feira que "os episódios" em torno do ministro da Administração Interna, Luís Neves, já não o responsabilizam apenas a si, mas a todo o Governo PSD/CDS-PP.
Paulo Raimundo visitou a Feira do Livro do Porto, onde fez declarações sobre o caso de Luís NevesESTELA SILVA/LUSA
"É mais um episódio que, diria, já não responsabiliza apenas Luís Neves, responsabiliza todo o Governo", disse Paulo Raimundo à margem de uma visita à Feira do Livro do Porto, depois de questionado sobre uma investigação do Nascer do Sol e da TVI/CNN que refere que Luís Neves dispõe, no ministério, de várias viaturas oficiais topo de gama, de dois motoristas e de quatro elementos de segurança.
Apesar disso, o governante conduz e leva para casa um carro desportivo apreendido pela Polícia Judiciária (PJ), que será o mesmo carro que já usava enquanto diretor-nacional da PJ. Em resposta a esta investigação, o ministro explicou tratar-se de uma viatura de serviço em regime de comodato, devidamente autorizada em termos legais.
"Qualquer coisa que surja é um novo caso, com mais ou menos gravidade, será sempre um novo caso, é sempre a acrescentar. Há um problema que já não é um problema do ministro da Administração Interna, mas é um problema do Governo todo", insistiu.
Questionado sobre se o primeiro-ministro, Luís Montenegro, deveria demitir Luís Neves, o secretário-geral do PCP salientou que o partido não tem por hábito "pedir a cabeça de ministros".
"O problema com que nós estamos confrontados é que se vamos por aí quem é que sobra? Temos o ministro das Infraestruturas envolvido num caso em Cascais, temos a situação do próprio primeiro-ministro que ainda está por esclarecer e temos a ministra da Saúde que representa os interesses privados no Governo. Portanto, quem é que sobra? Não sobra ninguém", concluiu.
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