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Cuba: EUA anunciam novas sanções contra três pessoas e nove entidades cubanas

Lusa 20 de agosto de 2026 às 22:30
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As pessoas afetadas pelas medidas estão ligadas ao Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), já sancionado por Washington.

Os Estados Unidos (EUA) anunciaram esta quinta-feira a imposição de sanções contra três pessoas e nove empresas e entidades cubanas, incluindo o Ministério da Construção de Cuba, no âmbito da pressão económica de Washington à ilha caribenha.

EUA anunciam novas sanções contra três pessoas e nove entidades cubanas
EUA anunciam novas sanções contra três pessoas e nove entidades cubanas Ramon Espinosa/AP

As pessoas afetadas pelas medidas do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês), tutelado pelo Departamento do Tesouro dos EUA (equivalente ao Ministério das Finanças), estão ligadas ao Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), já sancionado por Washington.

Trata-se da sua vice-presidente, Noemí Rabaza, da diretora para a América do Norte, Leima Martínez e do presidente da organização, o deputado Fernando González Llort, que esteve preso nos EUA durante 15 anos juntamente com outros quatro cubanos por alegada espionagem.

Também foram sancionadas pelo OFAC quatro empresas do setor metalúrgico e mineral de Cuba que operam "em benefício do regime", segundo Washington: a Acinox Comercial, a Geominsal, a Metalcuba e a Empresa de Níquel Comandante Ernesto Che Guevara.

A estas juntam-se o Ministério da Construção e a Agência de Contratação para Representações Comerciais SA, que fornece mão-de-obra cubana a empresas estrangeiras que operam no país e que, segundo a administração norte-americana, "retém mais de 90% dos salários pagos" por estas empresas aos seus funcionários cubanos.

O OFAC impôs igualmente sanções contra a Coratur SA, a Transimport e a Consumimport, três empresas que operam sob a égide do Grupo Empresarial do Comércio Externo (GECOMEX).

No início de agosto, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, advertiu a ilha caribenha de que não haverá nenhuma "válvula de escape" à pressão de Washington até se verificarem mudanças na ilha, acrescentando que o país não encontrará outro aliado após ter perdido a Venezuela.

"O que tentamos ensinar-lhes é que não há válvulas de escape. Sempre que criam um novo mecanismo para tentar livrar-se do cerco, simplesmente bloqueamo-lo", disse Rubio ao portal de notícias Axios, referindo-se às recentes reformas do Governo cubano destinadas a incentivar o crescimento do setor privado, de acordo com uma análise publicada pelo media online norte-americano.

Ainda hoje Havana anunciou mais reformas que liberalizam o seu tecido económico, nomeadamente na diversificação do sistema empresarial, aos concursos públicos para a aquisição de bens e serviços e à importação comercial de mercadorias.

Nas mesmas declarações, o chefe da diplomacia norte-americana, que tem origens cubanas, insistiu que o Governo de Havana já não pode esperar que "o tempo passe" e que os Estados Unidos cedam perante as medidas entretanto promovidas para forçar reformas económicas e políticas na ilha caribenha, mergulhada numa crise económica agora agravada pelo bloqueio energético de Washington.

"Sem dúvida, esta situação não vai desaparecer nos próximos dois anos e meio" que restam ao Presidente norte-americano, Donald Trump, no poder, acrescentou Rubio.

A situação já tensa na nação insular, que atravessa atualmente um dos seus piores momentos, agravou-se após a captura, em janeiro, do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, um aliado próximo de Cuba.

Na sequência da captura e detenção de Maduro pelos Estados Unidos, Trump impôs um bloqueio ao fornecimento de petróleo a Havana o que, aliado à escassez de água, ao elevado preço dos produtos básicos e à falta de serviços essenciais, tem provocado uma crise humanitária na ilha.

Washington trava uma batalha ideológica com o regime cubano, na qual Marco Rubio tem assumido um papel de destaque, criticando veementemente o comunismo e o alegado apoio de Havana a movimentos extremistas de esquerda, inclusive nos Estados Unidos.

Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas condenaram também no início de agosto as sanções norte-americanas a Cuba e alertaram que os "setores da energia, dos transportes, da irrigação e dos serviços básicos estão a falhar simultaneamente, afetando desproporcionalmente as mulheres, as crianças, os idosos e outros grupos vulneráveis".

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