Associação acusa nova unidade da PSP de preferir perseguir imigrantes a controlar fronteiras
A Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras começou a funcionar em 21 de agosto do ano passado, com 1.200 elementos.
A Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras começou a funcionar em 21 de agosto do ano passado, com 1.200 elementos.
O diploma aprovado no Parlamento, com o apoio da direita, introduz prazos mais longos de residência, novos critérios de integração e possibilidade de perda de nacionalidade. Críticas da esquerda e das associações de imigrantes alertam para “retrocesso civilizacional”.
Manifestação foi marcada para as 14h desta quarta-feira.
O alerta foi feito à margem de um protesto, organizado pela Solidariedade Imigrante - Associação para a Defesa dos Direitos dos Imigrantes que reuniu hoje no Porto cerca de um milhar de imigrantes, segundo números da organização.
A diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações, que junta muitas associações do setor, lamentou que a indefinição política e a ausência de serviços públicos em condições coloquem a "vida de muita gente à espera de soluções que não há".
O anúncio motivou a resposta de grupos da extrema-direita e o partido Chega organizou uma vigília de apoio à PSP.
O objetivo da manifestação é pedir o regresso das manifestações de interesse, que permitia a regularização de quem tivesse chegado a Portugal com visto turístico e tivesse 12 meses de descontos para a segurança social.
A sua newsletter de quarta-feira.
A SÁBADO falou com Inês Subtil, da Amnistia Portugal, e Timóteo Macedo, da associação Solidariedade Imigrante, sobre o anúncio feito por Luís Montenegro no passado domingo e que já foi elogiado pelos autarcas de Lisboa e Porto.
As associações têm agendada uma reunião, a 14 de agosto, com um assessor do primeiro-ministro, mas insistem que deverá ser Luís Montenegro a recebê-los.
As "pessoas vivem cá, moram cá, trabalham cá e descontam cá", alerta presidente da associação Solidariedade Imigrante.
Timóteo Macedo apontou que "todo o mundo anda distraído" porque situações como a que aconteceu no fim de semana "já são antigas".
Nos últimos dois meses chegaram a Portugal milhares de timorenses iludidos com o eldorado europeu. Encontraram fome, habitações insalubres e precariedade. Muitos ficaram a viver na rua.
Passado um ano da “cerca sanitária” no concelho alentejano, nem uma única habitação foi construída para os trabalhadores migrantes. E quase não há casas para turismo.
"Portugal é um país de gente decente, que luta pelos direitos de quem trabalha e que não permite que a mentira e o insulto sejam o nosso quotidiano", afirmou líder do BE.
Os organizadores justificam a manifestação com "a atual situação de milhares de imigrantes que são vítimas da aleatoriedade da plataforma eletrónica Sistema Automático de Pré-Agendamento (SAPA)" do portal do SEF.