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Rentrée do PS: Carneiro acusa Montenegro de "insensibilidade" e "incapacidade para resolver crises"

Secretário-geral do PS anunciou o movimento “Contamos todos”, que visa criar uma “alternativa socialista de confiança”.

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, apontou o dedo ao Governo durante o discurso na festa de rentrée política do partido, que decorre este domingo em Olhão, no distrito de Faro. Respondeu quase ponto por ponto ao , na festa social-democrata. Acusou Luís Montenegro de “insensibilidade”, “desumildade” e de ser “incapaz de responder às crises do País”. Apresentou o movimento “Contamos todos”, uma “alternativa socialista de confiança”.  

José Luís Carneiro discursou por cerca de 40 minutos
José Luís Carneiro discursou por cerca de 40 minutos LUÍS FORRA/LUSA

Desde o apagão em abril do ano passado aos incêndios de 2025, às tempestades de janeiro e aos exames nacionais, José Luís Carneiro foi taxativo nas críticas ao Governo. “Não deu provas de capacidade de responder às crises do País”, acusou. “Enquanto os incêndios de 2025 ameaçavam a vida das pessoas, [a AD] não teve a sensibilidade de adiar a festa do Pontal”, lembrou. Nas tempestades, afirmou que o Governo “reagiu tarde e reagiu mal”.  

Quanto à crise dos exames, José Luís Carneiro repudiou a “incapacidade para reconhecer responsabilidades políticas”. O socialista acusou o Governo de ter criado “uma crise que prejudicou jovens, famílias e escolas”. E depois “sacudiu responsabilidades, primeiro, para as famílias porque tinham tido a ousadia de marcar as suas férias; depois, para os professores que não cooperavam com o Governo; e, por último, estão mesmo a ameaçar as escolas com processos disciplinares”.  

Numa passagem muito breve pela função pública, questionou apenas se Luís Montenegro sabia do que se passa hoje na segurança interna. Não mencionou o ministro da Administração Interna, Luís Neves, tal como não referiu o nome do ministro da Educação quando criticou a gestão dos exames.  

Rebatendo as afirmações do primeiro-ministro, José Luís Carneiro falou de uma “economia que está a cair. Crescia 3% com os governos do PS e hoje cresce 1,9%”. Para “refrear o entusiasmo das palavras de Luís Montenegro”, reiterou que “Portugal não ganhou competitividade. Em 2025, teve um défice superior a 30 mil milhões de euros”.  

Deixou ainda várias perguntas a Luís Montenegro. Começando pela compra da Redes Energéticas de Portugal (REN), questionou qual o valor da compra e por que razão optou por comprar a um acionista e não no mercado. Na TAP, questionou sobre a visão estratégica da venda.  

“Falar 47 minutos sem se ter referido à saúde mostra como o primeiro-ministro está desligado da realidade dos portugueses”, atirou. Na campanha eleitoral de 2025, “prometeu médicos de família para todos os portugueses, reduzir os tempos de espera para consultas e listas de espera para operações oncológicas”, promessas que “ficaram por cumprir”.  

José Luís Carneiro abordou a situação do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), afirmando que o novo decreto-lei do Governo prevê uma "redução de meios" ao serviço do instituto, colocando em causa a "previsibilidade e a segurança do socorro" às populações. "Por isso, quero aqui dizer que procuraremos fazer na Assembleia da República a apreciação parlamentar deste diploma, porque isto é grave em relação à segurança do socorro às populações", declarou.

Na habitação, chamar “renda moderada 2.300 euros, evidentemente, significou um aceleramento das rendas. Estamos muito atentos aos abusos, particularmente contra idosos e famílias com crianças”.  

Ainda em relação discurso de sexta-feira de Luís Montenegro, o primeiro-ministro “optou por um discurso de autojustificação e de censura àqueles que realizam o escrutínio do seu Governo. Aos jornalistas, quero lembrar que não é a primeira vez, porque já em 2025 um dos alvos das críticas no comício do Pontal foi o jornalismo livre, plural e independente que faz o escrutínio e que é garantia da qualidade da vida democrática”.  

Carneiro anuncia movimento “Contamos todos”

E se, em alguns temas, o dirigente criticou o Governo sem concretizar uma alternativa socialista, a novidade da noite foi o movimento “Contamos todos”. José Luís Carneiro explicou tratar-se de uma “alternativa política e económica” com uma manifestação nacional prevista para outubro.  

As “linhas mestras” do movimento passam por uma “economia que cresça baseada no conhecimento e que promova a coesão. Tem de integrar os dois terços do território que estão em inutilidade económica; ser capaz de integrar e valorizar os 100 mil jovens no ensino técnico e profissional, e para os 140 mil jovens que não estudam nem trabalham; que motive os trabalhadores; que os impostos sobre as empresas acompanhem a inovação; que seja modernizadora do tecido social e afirme Portugal no mundo; que modernize os poderes locais e capacite a administração pública”. 

A habitação será também uma prioridade do movimento: “Vamos lançar um serviço nacional de habitação para mobilizar o Estado, as autarquias, cooperativas e arquitetos. Para que as cooperativas possam ter acesso ao financiamento nacional e desempenhem as funções que tiveram no passado.” O PS quer também garantir “isenção de imposto sobre as mais valias destinadas à habitação certa e permanente”. 

Por último, o movimento visará uma “avaliação séria e rigorosa” na saúde, nomeadamente nos cuidados de saúde primários e hospitalares, conferindo maior autonomia às administrações. Na educação, “o mais importante elevador social e fator de igualdade”, o PS quer “responder à revolução da inteligência artificial com uma nova abordagem ao ensino”. Não disse, no entanto, que abordagem é essa.  

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