Deputado João Almeida defende que "tem de existir ética e dignidade na relação entre partidos e entre políticos".
O CDS-PP exigiu esta sexta-feira ao Chega um pedido de desculpas pelas acusações relacionadas com o processo de aquisição de três fragatas, considerando que uma recusa do partido em se retratar significa uma "perda de credibilidade absoluta".
João Almeida, deputado do CDS-PPMiguel Baltazar
Em declarações à agência Lusa, o deputado centrista João Almeida defendeu que "tem de existir ética e dignidade na relação entre partidos e entre políticos" e acusou o Chega de ter lançado suspeitas sobre o ministro da Defesa, Nuno Melo, e o próprio CDS-PP de "negociatas" e "eventuais desvios de dinheiro" na compra das fragatas a Itália.
"Aquilo que o CDS entende ao abrigo dessa ética e dessa dignidade que tem de existir na relação entre políticos e entre partidos, é um pedido de desculpas por parte do Chega por ter feito acusações que são manifestamente infundadas", exigiu.
Na sequência de uma notícia do 24Horas sobre o alegado afastamento à última hora de uma empresa portuguesa (NTGroup) como intermediária da compra das fragatas, o Chega partilhou nas suas redes sociais um vídeo do seu líder, André Ventura, a defender uma investigação sobre o destino de "várias dezenas de milhões" de euros que, segundo disse, deviam ter sido usados para pagar comissões.
O deputado Pedro Frazão, num vídeo publicado nas redes sociais, reagiu à notícia falando de "mais um escândalo" do Governo e de um negócio associado a "sérias dúvidas de honestidade e de integridade".
Esta quinta-feira, em comunicado, a NTGroup assegurou que não integrou a "equipa formal de negociação intergovernamental", nem participou nas reuniões finais para aquisição de três fragatas por Portugal a Itália, frisando que não reclama qualquer pagamento ao Estado português.
Para João Almeida, o comunicado divulgado esta quinta-feira pela NTGroup vem "desmentir absolutamente todas as acusações feitas pelo Chega" e um não pedido de desculpas por parte do partido de André Ventura resultará numa "perda de credibilidade absoluta por parte do Chega e da sua ação política".
"Fica-se a saber que o Chega, mesmo mentindo, não tem a dignidade de reconhecer que faltou a essa verdade quando é desmentido pelos factos", considerou o deputado.
O deputado assegurou, no entanto, que PSD e CDS-PP mantêm a intenção de ouvir Nuno Melo na Comissão de Defesa Nacional, para que também em sede parlamentar "tudo isto fique esclarecido".
Em causa está uma notícia publicada em 07 de agosto pelo jornal 'online' 24Horas sobre a aquisição de três fragatas ao fabricante italiano Fincantieri, por 3,9 mil milhões de euros, na qual é referido que um alegado afastamento à última hora da empresa portuguesa NTG, que participaria como intermediária da operação, levou essa empresa a perder 90 milhões de euros em comissões.
O ministro da Defesa anunciou depois da notícia que ia processar judicialmente o jornal 24Horas devido a essa notícia, bem como o presidente do Chega, André Ventura, e o deputado Pedro Frazão pelas declarações, nas redes sociais, sobre o caso.
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