O sistema permite aos consumidores recuperarem o valor de depósito de 10 cêntimos por embalagem pago no ato da compra de garrafas e latas de uso único, de plástico, metal e alumínio.
No café Quinta Amarela, no Porto, as embalagens Volta são entregues a um cliente habitual com poucas posses, num negócio familiar onde sobram críticas ao Sistema de Depósito e Reembolso implementado em abril.
Sistema de reciclagem 'Volta' está em vigor desde abril deste anoMiguel Baltazar
A meia dúzia de passos da estação de metro da Casa da Música, este café está aberto desde fevereiro de 2002, sendo gerido e operado por familiares, e todos os dias entrega as garrafas de água, latas de refrigerantes e demais embalagens com depósito 'Volta' a uma pessoa carenciada da zona.
É, por estes dias, o segundo a receber estas embalagens, uma "ajuda", como lhe chama David Leite, que fala à Lusa desta medida tomada informalmente no estabelecimento, de onde quase todos os dias este senhor tira "no mínimo cinco euros por dia", ou seja, pelo menos meia centena de embalagens.
É uma forma de "ajudar um cliente com poucas posses", que visita habitualmente o espaço, que funciona sem folga semanal e aberto de manhã às primeiras horas da madrugada, mas também uma maneira de lidar com uma "chatice" logística.
Ao balcão, David Leite mostra-se preocupado com a gestão de 'stock' destes invólucros pelos quais receberia reembolso, e com a forma correta de os catalogar em termos contabilísticos, uma vez que, com o avolumar das encomendas, ascenderão a milhares de euros.
Por outro lado, David Leite advoga por uma "reformulação do sistema", sobretudo para negócios com porta aberta, apontando o que diz serem incoerências, das latas cobradas sem 'Volta', para serem consumidas no próprio local, às que levam o acréscimo, porque o cliente as leva para a rua, lembrando que estes podem mudar de ideias a qualquer momento.
Além da falta de informação, também defende "que haja recolha destas latas nos próprios estabelecimentos", não só para facilitar a vida aos pequenos empresários como também para "fomentar a criação de emprego".
"[Temos de] todos os dias encher um carro com latas, esperar horas na fila com sacos de plástico enormes, atrás de gente também com esses sacos, depois ou antes de um dia de trabalho", lamenta.
Noutros cafés visitados pela Lusa, a recolha de embalagens é a reivindicação mais ouvida, tendo sido defendida pelos gerentes de um café e um bar do centro da cidade, que não quiseram identificar-se.
Num deles, a presença de pessoas que vêm pedir as garrafas e latas para depois devolver é constante, mas a gerência optou por manter a devolução pelos próprios meios, precisamente por uma gestão contabilística.
O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), em funcionamento desde 10 de abril, permite aos consumidores recuperarem o valor de depósito de 10 cêntimos por embalagem pago no ato da compra de garrafas e latas de uso único, de plástico, metal e alumínio e inferiores a três litros entregues e nos mais de 2.500 pontos 'Volta' distribuídos pelo país.
O SDR, que recebeu o nome 'Volta', teve um período de transição que termina na segunda-feira, pelo que a partir de agora todas as bebidas de embalagens colocadas no mercado deverão pertencer ao sistema.
As metas de recolha do SDR pressupõem 40% das embalagens em causa este ano, 80% em 2027, 85% em 2028 e 90% a partir de 2029.
Em Portugal cerca de 54% dos resíduos urbanos ainda são encaminhados para aterro, muitos dos quais já estão próximo da capacidade máxima.
Segundo a empresa gestora, o SDR será essencial para que Portugal cumpra as metas europeias a que está obrigado (taxa de recolha destas embalagens de 90% até 2029). A não concretização pode dar origem a multas, pagas pelo Orçamento do Estado.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.