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Seguro considera Ventura um risco para a Democracia e questiona investimento de 5% do PIB na defesa

Luana Augusto 01 de fevereiro de 2026 às 22:37

Candidato esteve este domingo em entrevista na SIC Notícias onde falou sobre a questão do mau tempo, dos incêndios, do plano internacional e sobre um eventual chumbo do Orçamento do Estado.

O candidato à Presidência, António José Seguro, deu este domingo uma entrevista à SIC Notícias onde abordou a questão do mau tempo, a posição internacional de Portugal e o Orçamento de Estado.
Seguro critica Ventura sobre democracia e investimento na defesa José Fonseca Fernandes

Mau tempo

Foi no Fundão, que o candidato apoiado pelo Partido Socialista (PS) começou por considerar a situação do mau tempo que se vive em Portugal como "gravíssima". Diz que enquanto Presidente da República é "realista pedir que o Estado possa reagir melhor" através de "planos de redundância para que quando existem falhas" de energia, por exemplo, estas possam ser rapidamente "restabelecidas". "Muitas pessoas estiver sem saber o que estava a acontecer. Não pode ser algo que se responde no momento. Tem de ser planeado." Além disso, diz que é também dever do Presidente "avaliar o que correu bem e o que correu mal", fazendo com isto alusão à comissão técnica independente que Marcelo Rebelo de Sousa propôs, e considerou que "têm de ser apuradas responsabilidades se alguma coisa falhou".
Seguro avançou ainda que a questão do mau tempo será um dos temas a ser abordado no primeiro Conselho de Estado - que o socialista já havia prometido, caso fosse eleito, e que na altura sugeriu que seria dedicado a assuntos de defesa e segurança. No entanto, reforçou que neste momento a preocupação é "acudir as famílias, as empresas e as autarquias para ajudá-los a recuperar a sua vida normal". O candidato aproveitou ainda para elogiar a "solidariedade dos portugueses" - muitos dedicaram-se a ajudar na limpeza das vias e na reconstrução das casas. "Tem sido magnífica, mas não pode substituir a responsabilidade que o Estado deve ter."

Incêndios

O candidato falou ainda sobre a questão dos incêndios que dentro de meses poderão voltar a afetar Portugal. "Dentro de meses vamos ter um aumento de temperaturas em Portugal e [vamos entrar na] época dos incêndios. [Neste momento,] temos milhares de troncos [espalhados pelas florestas]. Devemos ajudar a tirar rapidamente esse material combustível e limpar as florestas para que não haja material para incêndios."

Plano internacional

Seguro voltou a reforçar neste debate que Portugal deve ter uma "autonomia estratégica e uma competitividade económica", ou seja que "a decisão é comprar europeu". Considerou, por isso, que "Portugal não deve abandonar nenhuma das suas alianças", nomeadamente "a NATO ou a União Europeia", isto porque, diz, "precisamos de estar em alianças que promovam a nossa defesa". E deixou elogios aos acordos fechados entre a União Europeia com o Mercosul e a Índia. "São ótimas oportunidades para a nossa economia", assegurou. Na matéria da defesa, o candidato deixou várias questões sobre o investimento de 5% do PIB. "Temos várias perguntas a fazer: a primeira é 'porque é que é 5%?', 'quem definiu [esse valor]?', e com que evidência científica?"
Considero ainda que o pior cenário para Portugal, neste momento, seria participar numa guerra.

Desinformação

O candidato mostrou-se realmente preocupado com a questão das redes sociais que, segundo ele, "estão cheias de mentiras contra mim". Diz que é algum inaceitável "numa Democracia". "A desinformação não ajuda a democracia." E foi nesse momento que aproveitou para criticar o seu adversário André Ventura. "Um estudo recente demonstrou que 85% das falsidades se devem a André Ventura. O País tem de repudiar esta situação." E diz que é, por isso, que "tanta gente apoia a minha candidatura". Questionado pela jornalista se considera que o líder do Chega representa um risco para a Democracia, respondeu: "claro". "Os métodos desse candidato não são democráticos. O primeiro dever do democrata deve ser debater ideias e não semear o ódio", atirou. Adiantou ainda que não daria "posse a Governos que são contra a Constituição", mas acrescentou que em Belém será "equidistante dos partidos".

Orçamento do Estado

E se o Orçamento do Estado fosse chumbado? "O Presidente da República teria de avaliar as condições para garantir a estabilidade", respondeu. António José Seguro lamentou ainda que o País passa a vida em eleições e que enquanto chefe de Estado agirá para "garantir que há um entendimento entre partidos". "Até 2019 tivemos ciclos governativos de quatro em quatro anos, a partir daí começámos  ater ciclos mais curtos. Isto é vida para o nosso País andar de eleição em eleição? Este não pode ser o novo normal."

Jovens

Por fim, decidiu dedicar uma última palavra aos jovens. Recordou que a população desta faixa etária é importante para o país e que é precisso um rejuvenescimento da população "com mais bebés". "O País está a entrar em becos sem saída." A segunda volta das eleições Presidenciais acontece a 8 de fevereiro e servirá para eleger o próximo Presidente da República: André Ventura ou António José Seguro. A primeira volta ocorreu a 18 de janeiro.
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