Lula da Silva destaca “melhor momento” das relações com Portugal enquanto Ventura grita “Lula ladrão”
O presidente brasileiro e Montenegro encontraram-se no Palácio de São Bento onde enalteceram as relações entre Portugal e o Brasil. Em Belém uma manifestação organizada pelo Chega protestava contra a vinda de Lula a Portugal.
Com uma hora e meia de atraso, Lula da Silva, o presidente brasileiro, chegou esta terça-feira ao Palácio de São Bento, a residência oficial do primeiro-ministro português, para se encontrar com Luís Montenegro.
Lado a lado, os líderes enalteceram as relações entre Portugal e o Brasil, enquanto no Palácio de Belém, André Ventura e alguns apoiantes do Chega, em protesto contra a visita oficial do chefe de Estado brasileiro, gritavam “Lula ladrão, o teu lugar é na prisão”, segurando algemas.
O presidente do Chega chegou à manifestação envergando uma t-shirt com o seu nome e um “1”. Explicou que lhe tinha sido oferecida por um brasileira que morava em Lisboa e que cumpre atualmente pena de prisão no Brasil por alegadamente ter “insultado” Lula da Silva.
Do outro lado da estrada, decorreu uma manifestação de apoio ao presidente brasileiro com faixas com os slogans: “Lula, Portugal te recebe de braços abertos” e “Lula, guerreiro do povo brasileiro”.
No seu discurso, Luís Montenegro relembrou que Portugal é um “defensor intransigente” do acordo da UE com o bloco sul americano composto pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. “Relativamente ao futuro estamos muito empenhados, e sei que é recíproco, no aprofundamento de tudo aquilo que tem a ver com a implementação e a entrada em vigor, ainda de que forma provisória, do acordo da União Europeia com o Mercosul”, assegurou o líder do Governo português.
Neste acordo comercial, assinado a 17 de janeiro depois de 20 anos de negociações, o Mercosul eliminará as tarifas sobre 91% das exportações da UE, e a UE eliminará progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do bloco.
Segundo a Comissão Europeia, os principais produtos exportados do executivo europeu são máquinas e aparelhos, produtos químicos e farmacêuticos. Por outro lado, a UE deverá importar produtos agrícolas, produtos minerais como terras raras, pasta de papel e papel.
O chefe de Estado brasileiro enalteceu também a relação dos dois países que na sua opinião atravessa o “melhor momento”, referindo o apoio de Portugal pelo acordo. “Agora que Portugal ajudou o Brasil a fazer o acordo UE-Mercosul, agora sim, conseguimos dizer alto e bom som que Portugal pode ser a grande porta de entrada dos interesses empresariais brasileiros em Portugal”, afirmou.
Acrescentou também que iria reunir os ministros brasileiros de forma a garantir que “parte das coisas que o Brasil vai negociar com a União Europeia sejam construídas” em Portugal.
No final da sua declaração, Luís Montenegro desejou que nos próximos tempos, “o mundo viva mais tranquilo, viva tempos de maior estabilidade e de menos dependência daqueles que querem assumir posições de hegemonia”.
Com agência Lusa