José Luís Carneiro disse a Montenegro que autoridade de Luís Neves"está fragilizada"
"Os factos fragilizam a autoridade política do titular da Administração Interna, que tem a direção das forças de aplicação da lei", disse José Luís Carneiro.
José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, transmitiu ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, que a autoridade política do ministro da Administração Interna, Luís Neves, "está fragilizada" e que ambos devem avaliar as condições do governante para continuar no Governo.
"Transmiti que, no meu entender, a autoridade política do ministro da Administração Interna está fragilizada. Os factos fragilizam a autoridade política do titular da Administração Interna, que tem a direção das forças de aplicação da lei", disse José Luís Carneiro. O secretário-geral do PS disse que Montenegro deu alguns esclarecimentos neste encontro, mas que estes "não dispensam que o ministro da Administração Interna" responda aos deputados na Assembleia da República.
"Manifestei a nossa divergência profunda com a AD e com os partidos que inviabilizaram que o ministro da Administração Interna fosse ouvido na Assembleia da República no seguimento da proposta feita pela IL", sublinhou, acrescentando que Luís Neves "deve ser ouvido tão breve quanto possível" no Parlamento.
O líder do PS falava aos jornalistas, na sede nacional do PS, em Lisboa, depois de se ter encontrado com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na residência oficial de São Bento, para pedir esclarecimentos sobre as polémicas a envolver o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e minutos antes da conferência de imprensa do governante.
Carneiro argumentou que "o dever de transparência é um dever de todos os titulares de cargos políticos, e de todos aqueles que estão investidos de especiais responsabilidades e de uma especial missão de serviço público", e que os esclarecimentos de Neves aos jornalistas não dispensam o escrutínio parlamentar.
Para Carneiro, o caso tem três dimensões que precisam de esclarecimentos: as "construções irregulares em Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN)", a não entrega da Declaração Única de Rendimentos à Entidade para a Transparência quando estava à frente da Polícia Judiciária (PJ), e as "questões relacionadas com a remoção de prova de crime que está em apreciação pelas autoridades judiciárias".
O líder do PS disse ainda ter transmitido ao primeiro-ministro que o seu partido é "contrário a uma comissão de inquérito" sobre o caso, como propôs o Chega, por considerar que esse tipo de iniciativa "tenderá a lateralizar as questões que estão em apreço e contribuir para o descrédito das instituições democráticas".