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Habitação: PSP nega encaminhamento de manifestantes por agentes à paisana no Porto

Lusa 03 de novembro de 2026 às 19:43

Segundo a PSP, "os únicos cidadãos conduzidos às instalações policiais foram os sete detidos no decurso da intervenção, os quais foram transportados em viatura policial caracterizada e por polícias uniformizados".

A PSP negou esta terça-feira que, na madrugada de domingo, polícias à paisana tenham encaminhado manifestantes pela habitação à esquadra, referindo também que é falso que nas noites seguintes tenha havido mais detenções de manifestantes.

Corpo de Intervenção da PSP interveio esta madrugada para retirar as tendas que se mantinham na Praça D. Pedro IV TIAGO PETINGA/LUSA

"É inteiramente falsa a informação de que polícias à civil tenham conduzido manifestantes à esquadra", pode ler-se numa resposta de fonte oficial da Direção Nacional da PSP à Lusa.

Segundo a PSP, "os únicos cidadãos conduzidos às instalações policiais foram os sete detidos no decurso da intervenção, os quais foram transportados em viatura policial caracterizada e por polícias uniformizados".

"É igualmente falsa a alegação de que, nas noites seguintes, tenham sido conduzidos manifestantes à esquadra, quer por polícias uniformizados, quer por polícias à civil", pode ler-se na resposta de fonte oficial da direção da polícia à Lusa.

Hoje, fonte do Comando Metropolitano do Porto da PSP já tinha afirmado desconhecer a existência de polícias à paisana a identificar e a deter manifestantes à saída da Praça D. João I.

Na noite de segunda-feira, o movimento Acampada do Porto pela habitação tinha denunciado a existência de polícias à paisana a identificar e a deter manifestantes à saída da Praça D. João I e a conduzi-los à esquadra para identificarem pessoas por fotografias.

"Chegaram indicações à organização da acampada de que estavam a ser identificados, ou estava a ser pedida a identificação, e estavam a ser detidas pessoas à saída da Praça de Dom João I e a serem levadas para a esquadra", adiantou Ricardo Salazar, um dos advogados que presta apoio jurídico aquele movimento.

Segundo disse, uma vez na esquadra foram mostradas "fotografias para serem identificadas pessoas".

"Também foi indicado que supostamente está a acontecer a mesma coisa em hospitais onde as pessoas vão para receber tratamento. Polícias à paisana estão a identificar pessoas, o que a ser verdade é algo bastante sério e grave", salientou o advogado.

Ricardo Salazar alertou que, caso tal tenha sucedido, se trata de "um caminho que pode chegar a processos políticos de intenção e perseguições de pessoas, o que é algo que já não acontecia em Portugal desde o Estado Novo".

Na assembleia popular de segunda-feira, foi explicado aos manifestantes como agir em caso de detenção e de lhes ser pedida a identificação por parte de agentes à paisana ou identificados.

Na madrugada de domingo, a PSP dispersou as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, retirando cerca de 100 tendas. A intervenção culminou em cargas policiais e arremesso de objetos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.

No Porto, a intervenção da PSP acabou com sete detidos.

Nos acampamentos, que começaram a 10 de outubro, os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

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