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Gronelândia. Dinamarca reforça contigente militar na ilha do Ártico

Lusa 20 de janeiro de 2026 às 12:20

Os dois grupos aterraram na segunda-feira à noite em Kangerlussuaq (oeste) e na capital, Nuuk, segundo as cadeias de televisão TV2 e DR.

A Dinamarca enviou dois novos contingentes de soldados para a Gronelândia, no âmbito de uma missão para reforçar a segurança na ilha e no Ártico, noticiaram esta terça-feira os meios de comunicação dinamarqueses.
Tensão entre a Dinamarca e a Venezuela aumenta, com receios de anexação da Gronelândia Foto AP/Ebrahim Noroozi
Os dois grupos aterraram na segunda-feira à noite em Kangerlussuaq (oeste) e na capital, Nuuk, segundo as cadeias de televisão TV2 e DR. O grupo enviado para a zona ocidental da ilha integrava 58 militares e chegou a Kangerlussuaq acompanhado pelo chefe do Exército de Terra, general Peter Boysen, segundo a TV2, citada pela agência noticiosa espanhola EFE. Desconhece-se o número de soldados que foram transportados para Nuuk. O objetivo do envio das tropas é a participação nas manobras "Resistência Ártica", juntamente com outros países europeus aliados da NATO, e proteger material e infraestruturas críticas. Embora o Governo de Copenhaga não tenha facultado dados sobre o número total de tropas deslocadas, a TV2 noticiou que, até segunda-feira, terão chegado à ilha ártica cerca de duzentos soldados dinamarqueses. "Vamos exercitar a defesa da Gronelândia, incluindo combates que eventualmente se possam produzir", declarou Boysen à TV2. Boysen admitiu que uma maior presença militar dinamarquesa na ilha poderá tornar-se permanente, dependendo da situação, e recusou especular sobre um eventual ataque norte-americano. A chegada das tropas ocorre num contexto de tensões geradas pelo desejo do Presidente norte-americano, Donald Trump, de obter o controlo da ilha ártica. O argumento apresentado é que o território autónomo da Dinamarca é essencial para a segurança dos Estados Unidos face à ameaça da China e da Rússia na região.
Trump ameaçou no sábado oito países europeus que enviaram militares para a ilha com a imposição de taxas alfandegárias, caso não aceitem o seu plano para o território. Trata-se da Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia, que integram a União Europeia (UE), e ainda Noruega e Reino Unido. A Alemanha retirou o contingente de 15 soldados no domingo e a Noruega anunciou o regresso esta semana dos seus dois oficiais. Alegaram, em ambos os casos, o fim da missão exploratória. O Presidente dos Estados Unidos pretende impor, a partir de 01 de fevereiro, uma tarifa de 10% sobre todos os produtos dos oito países europeus envolvidos. Trump ameaçou que poderá subir as taxas para os 25% em junho, mantendo-as em vigor até que se feche um acordo para a "compra total e plena da Gronelândia" por parte de Washington. O aumento de tensão levou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, a convocar uma cimeira extraordinária para quinta-feira para discutir uma resposta a Trump. As manobras militares na Gronelândia ocorrem também numa altura em que o Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte, formado por Estados Unidos e Canadá, anunciou que vai enviar em breve meios aéreos para a ilha. O comando referiu que os meios serão enviados para a base aérea dos Estados Unidos na Gronelândia para participar em atividades planeadas e coordenadas com a Dinamarca. "O Governo da Gronelândia também foi informado sobre as atividades previstas", disse o comando militar.
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