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Associação questiona elogios de deputado do PS à Rússia, partido nega apoio

Lusa 09 de agosto de 2026 às 18:23

Associação dos Ucranianos em Portugal pediu que o partido avalie "as ações de" José Carlos Barbosa, que se encontra atualmente na Rússia e que nas redes sociais elogia a Rússia.

A Associação dos Ucranianos em Portugal questionou este domingo o PS sobre o deputado socialista José Carlos Barbosa que acusa de elogiar a Rússia numa viagem pelo país, mas o Partido Socialista refere que "não corresponde à realidade".

Bandeira do PS João Cortesão

"Pedimos-lhe que avalie as ações de um membro do seu partido, deputado da Assembleia da República de Portugal - José Carlos Barbosa, que se encontra atualmente na Rússia e que nas redes sociais elogia a Rússia. País que há 12 anos está a travar uma guerra não provocada contra a Ucrânia", refere a associação numa carta dirigida ao secretário-geral do PS, José Luís Carneiro.

Na carta, o presidente da associação, Pavlo Sadokha, indica que no dia 05 de agosto oito pessoas morreram durante um ataque russo na estação ferroviária de Kvitneva, no distrito de Brovary, em Kiev.

"Está a ser muito doloroso para nós, ucranianos em Portugal, ver que, nesse mesmo dia, o deputado da Assembleia da República José Carlos Barbosa publicou nas suas páginas nas redes sociais mensagens de alegria sobre a sua estadia na Rússia, elogiando, na verdade, a atual administração russa e sem uma única palavra a condenar o assassinato de civis ucranianos que esperavam um comboio numa das estações ferroviárias perto de Kiev", salienta.

Pavlo Sadokha recorda que o ministro dos Negócios Estrangeiros português condenou os recentes bombardeamentos russos contra Kiev e reiterou a solidariedade de Portugal para com o povo ucraniano, bem como do Presidente António José Seguro.

O presidente da associação destaca o apoio dado à Ucrânia pelo atual presidente do Conselho Europeu e ex-primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e que o presidente do grupo parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, vai este ano à Ucrânia para a cerimónia oficial de comemoração do 35.º aniversário da independência.

Contactado pela Lusa, Eurico Brilhante Dias afirmou que esta ação "não corresponde nada à realidade", indicando que o deputado José Carlos Barbosa está a fazer uma viagem privada pela ferrovia entre Paredes, a sua terra natal, e Pequim.

O depurado realçou que José Carlos Barbosa tem votado ao longo dos anos ao lado do PS na condenação da Federação Russa e na defesa da causa ucraniana.

"Isto é uma atividade privada de promoção do modo ferroviário e que nada tem a ver com esse aspeto e que, bem pelo contrário, já serviu para José Carlos Barbosa afirmar naturalmente a vontade que encontrou nos mais jovens na Rússia para terem um futuro diferente", disse.

O líder parlamentar do PS afirmou ainda que a associação de ucranianos "conhece bem a posição do Partido Socialista e do deputado José Carlos Barbosa" em relação à causa ucraniana, além da "forma empenhada" como o PS tem vindo a defender a Ucrânia.

Nas redes sociais, José Carlos Barbosa também já reagiu a uma publicação do deputado da Iniciativa Liberal Rodrigo Saraiva, que no sábado publicou um vídeo com o título "Enquanto caem mísseis na Ucrânia há quem passeie pela Rússia. Não é apenas um cidadão apaixonado por viagens. É um deputado da nação. Será falta de noção?".

"Um deputado do PS está a fazer uma viagem de comboio até Pequim. Já passou pela Bielorrússia e agora está na Rússia. Ele filma estações bonitas, o ambiente nas cidades e faz sorrisos para a câmara", diz o deputado da IL, referindo que o socialista "come e dorme lá, contribuindo para a economia dos dois países".

Rodrigo Saraiva considera que "o mais estranho é o silêncio" por parte do PS, sustentando que esta viagem do deputado socialista "não é uma aventura ferroviária", mas sim "uma propaganda em segunda mão, uma irresponsabilidade e é ser útil a Vladimir Putin".

Em resposta, José Carlos Barbosa refere que não está na Rússia para defender o Governo russo, mas para mostrar aquilo que encontra e fazer o Transiberiano, a viagem ferroviária com que sonhou durante anos.

"O facto de um cidadão português, seja deputado, jornalista, empresário, professor ou tenha qualquer outra profissão, entrar e viajar num país governado por um regime autoritário não o transforma num apoiante desse regime", escreve o deputado do PS.

O socialista sublinha que "visitar um país não significa apoiar o seu Governo", conhecer um povo não significa concordar com quem o governa" e que mostrar aquilo que se vê "não significa fazer propaganda".

"Uma coisa é um Estado e quem o governa. Outra coisa, completamente diferente, são as pessoas que nele vivem. E reduzir milhões de pessoas às decisões dos seus governantes é precisamente aquilo que me recuso a fazer. E digo isto também com toda a clareza: sou pela paz, sempre fui pela paz e condeno qualquer agressão à soberania de um país, venha ela de onde vier. E foi isso sempre que fiz nas votações no parlamento sobre estes temas", escreve ainda.

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