Uma publicidade que não envolvesse euros, mas apenas argumentos; mas não políticos, argumentos existenciais. Qual o carro que te convém? Eis uma pergunta. Qual a vida que te convém? Eis outra pergunta completamente diferente.
Os prazeres estão aí pelo vasto mundo e a publicidade não é mais do que um anúncio dos prazeres possíveis que aí estão em teu redor como as muitas nuvens nos dias cobertos ou a muita luz nos dias de sol. Mas sim, o prazer, eis o problema, nunca sacia, segundo muitos filósofos, e por isso é sempre uma miragem, algo que continua a estar ali à frente, ao fundo. A publicidade não é hoje mais do uma fábrica de miragens; quando alguém assiste na televisão, ou na net, a imagens ou vídeos publicitários, está diante de uma miragem: algo que não existe para ele, materialmente, naquele momento, mas que pode vir a existir se ele der mais uns passos e mais uns euros. Estas miragens intermináveis são produtoras, claro, de insatisfeitos crónicos. Uns, porque sabem que nunca alcançarão aquela imagem que alguém sádico colocou à sua frente: o novo Mercedes xyz. Outros, os que têm dinheiro para comprar a miragem que é anunciada pela publicidade estão de imediato diante de uma outra miragem qualquer - umas férias esdruxulamente incríveis no outro lado do outro lado do mundo. E depois mais uma e outra miragem, todas com um preço, a pronto ou a prestações. E talvez o mais comum seja a insatisfação ser o ponto de final de cada um destes prazeres. Era só isto? Quero mais!
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