Que fez o senhor Franco Malosso? Bem, simples, fez, pelas suas próprias mãozinhas e com a ajuda de uns senhores operários, uma ruína, ali, na zona de Veneto, em Itália. Com cuidados modernos para parecer antigo.
O humano é gente para ir por dois caminhos opostos com grande entusiasmo. Os humanos são animais estranhíssimos, sim: deliram com as modernidades inventadas na tarde de ontem, com as tecnologias mais em voga do mercado de Silicon Valley e, ao mesmo tempo, adoram o antigo, o muito antigo, as ruínas de grandes monumentos, as velharias, muitas velharias já. Um duplo valor dado ao tempo: por um lado, é caro o que é muito recente: toda a tecnologia de última hora, ou minuto ou segundo, é caríssima e só Musk e os seus compadres podem chegar lá. Por outro lado, caríssimas são também certas velharias. Há móveis com alguns séculos que têm o valor de um prédio inteiro no centro de Lisboa. Isto, pois, a propósito de uma notícia recente, divertida e meia trágica ao mesmo tempo, que mostra como o valor do antigo continua no século da inteligência artificial. Segundo parece então, um senhor chamado Franco Malosso, de 69 anos, foi preso “acusado de falsificação de obra de arte, construção ilegal e destruição de uma paisagem protegida”. Que fez o senhor Franco Malosso? Bem, simples, fez, pelas suas próprias mãozinhas e com a ajuda de uns senhores operários, uma ruína, ali, na zona de Veneto, em Itália. Com cuidados modernos para parecer antigo, fizeram, então, um anfiteatro grego com milhares de anos. Fazer de novo o antigo, eis a extraordinária proeza.
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