A hora da verdade
Eduardo Dâmaso Director
07 de agosto de 2014

A hora da verdade

Em Portugal, os poderosos não são presos e conseguem salvar o pecúlio. A opinião de Eduardo Dâmaso, director adjunto do 'Correio da Manhã'

É hoje uma evidência que os grandes casos de crime financeiro quase paralisam a justiça e enviesam a sua vocação penal. Do Furacão ao Monte Branco, passando pelo BPN e pelos submarinos, temos uma justiça enredada em papel, pedidos de cooperação internacional, circuitos labirínticos de offshores, perícias complexas que criam processos morosos e de prova muito difícil. Instalou-se, por isso, uma espécie de possibilismo que orienta as investigações para a recuperação de dinheiro por via fiscal e secundariza a opção penal e carcerária. Em Portugal, os poderosos não são presos e conseguem salvar o pecúlio.

Agora, com o BES a transformar-se num caso de polícia que ameaça o próprio regime, seria bom que o Governo e todos os responsáveis pela investigação criminal repensassem tudo. São precisos mais meios? Novas leis? Penas mais pesadas? Mais peritos? Melhores salários? Esta é a hora da verdade para ver quem quer realmente uma justiça eficaz e quem se limita cinicamente a deixar andar o País para o abismo. É que os ingredientes para um novo e colossal resgate estão cá todos. Uma economia anémica, uma política refém desta banca que agora vive o seu estertor, uma justiça que ainda anda mas a passo de caracol, uma abstenção galopante, enfim, um menu assustador que nos empurra para o inferno e para a impunidade absoluta.

Eduardo Dâmaso

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