Violência sem provas mas com atitude
Sofia V. Martins Terapeuta e Coach
28 de março de 2018

Violência sem provas mas com atitude

Ana era vítima de violência quase desde o início da relação. Não tanto física, mas psicológica. Assim o diz ela, pois não considerava como violência o marido empurrá-la com força, fechar a porta de um armário sabendo que ela tinha lá a mão… Ana considerava-as menores diante da agressividade das palavras.

Notei naquele dia em Ana (nome fictício) um olhar diferente. Triste, mas decidido. Mesmo sem eu abrir a boca, senti de imediato que não tinha muito a acrescentar. Uma decisão tinha sido tomada e a única coisa que ela queria naquele momento era partilhá-la.

"Descobri que estou grávida. E vou deixar o meu marido". Fiquei em silêncio. Os olhos daquela rapariga que ainda não tinha 30 anos, não mostravam uma ponta de dúvida. Era aquilo que tinha de fazer. Para bem do seu filho.

Ana era vítima de violência quase desde o início da relação. Não tanto física, mas psicológica. Assim o diz ela, pois não considerava como violência o marido empurrá-la com força, fechar a porta de um armário sabendo que ela tinha lá a mão… Ana considerava-as menores diante da agressividade das palavras. As humilhações. Os atestados de incompetência. O reduzi-la a um estado tal de insignificância que mal se conseguia olhar ao espelho. A sensação de que não podia ser alguém sem ele. Embora se sentisse ao seu lado insignificante, pequena, desinteressante. Destruída.

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