O Algarve não é o estrangeiro. Tem uma dinâmica própria. Transporta um bocadinho do país. É um desligado com ligações. E eu até gostava disso.
Se a mala de um fim de semana a dois refletia a simplicidade de um "nós sem o mundo", a mala de férias com amigos exibia todas as alternativas de um "vou ficar fabulosa, aconteça o que acontecer". Claro que isto é uma caricatura. Ou, pelo menos, fica bem dizer que é. Há um padrão nesse "levo só uns trapinhos", como quem não aposta grande coisa, mas também não prescinde de estar prevenida. Aliás, nenhum de nós pode prescindir de estar prevenido. Porque férias são férias, mas Portugal é uma ervilha e, em certas épocas do ano, o Algarve é concentrado de ervilha. Há sempre alguém que aparece pronto para a ocasião: de chinela no pé quando esta se impõe; de vestido quando a música e as luzes fazem da noite festa; talvez uns tacões para ganhar altura e roubar espaço no transporte. Os sapatos, essa maldição das malas de viagem, que acaba a ter direito a uma sacola só para si, assumindo que é um assunto à parte, com uma dignidade própria, isenta de escrutínio ou de regras de acomodação. Os sapatos são outra coisa. E há que respeitar. Saber que é assim. Não se questiona. Nunca me atrevi. Quem tem filhos quando a vida ainda começa não se atreve a nada. Sabe que o espaço é relativo. Que há uma oitava dimensão onde tudo tem de caber. É nossa missão arranjar maneira, sem complicar, porque é óbvio que as coisas fazem falta, ou podem fazer, ou nunca se sabe. Não interessa a razão.
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