Eles sabem mais do que nós (e esquecemo-nos disso)
Paula Cordeiro
14 de setembro

Eles sabem mais do que nós (e esquecemo-nos disso)

A diferença entre gerações sempre existiu e foi invariavelmente o motor da evolução socio-cultural. Hoje não se caracteriza pela rebeldia da música rock, antes por uma enorme indefinição identitária que mistura género e estilos, tribos e gostos, sem com isso criar algo melhor do que aquilo que nós – os que estão ali na encruzilhada da geração X e dos Millenials – tivemos.

As gerações sucedem-se e, com elas, um certo generation gap, expressão que ouvi pela primeira vez em pleno gap, numa aula de inglês, algures nos meus 13 ou 14 anos. Na altura não percebi exactamente a que se referia a professora quando tentou explicar este lapso temporal que separa novos e velhos, sobretudo que os afasta de tudo o que os pode unir

Lembro-me de ir para casa, sozinha pelo caminho a recordar a palavra, pronunciando-a de diferentes formas até me soar bem. E soou, de tal maneira que ainda hoje me lembro desse percurso banal e sem grande história, excepto o facto de o fazer quase sempre sozinha, entre prédios e casas com jardins, ruas largas e passeios vazios, onde raramente me cruzava com outras pessoas. Por isso, também me lembro que podia falar em voz alta, ignorando o mundo à minha volta.

Fui lentamente percebendo que este intervalo - generation gap - existe e que é muito real, com diferenças concretas na forma de estar, comportamentos e atitudes que fazem de uns boomers e de outros, qualquer outra coisa, mas sempre incompreendidos, e tudo menos boomers.

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