Biarritz-Veneza, o diário de três mil quilómetros a pedal
Nuno Henrique Luz Jornalista e crítico de cinema
20 de agosto de 2016

Biarritz-Veneza, o diário de três mil quilómetros a pedal

O ego passou o cheque, hoje era o dia de ver se as pernas lhe davam cobertura. Bem, fiz os 143 quilómetros e os 3400 metros de subidas, expiei todos os meus pecados debaixo de chuva e nevoeiro nas rampas do Ahusquy (13 quilómetros cruéis) e do La Pierre St Martin (16,5 quilómetros dignos do Velho Testamento), e cheguei ao fim em estado apresentável de corpo e alma

O ego passou o cheque, hoje era o dia de ver se as pernas lhe davam cobertura. Bem, fiz os 143 quilómetros e os 3400 metros de subidas, expiei todos os meus pecados debaixo de chuva e nevoeiro nas rampas do Ahusquy (13 quilómetros cruéis) e do La Pierre St Martin (16,5 quilómetros dignos do Velho Testamento), e cheguei ao fim em estado apresentável de corpo e alma. E pelo menos até este domingo de manhã, até ao arranque da segunda etapa, assim vai continuar. Basta-me não pensar que este foi apenas o primeiro de 21 dias da Haute Route Triple Crown, e sobretudo fingir que não sei o que aí vem.


Horas a fio na bicla quer dizer que passamos muito tempo dentro da nossa cabeça. Se tínhamos problemas por resolver em Lisboa, eles vêm na bagagem. Infelizmente, a solução parece não gostar tanto de viajar e regra geral não os acompanha. Como alguém não disse, podemos tirar a pessoa do sítio, mas não podemos tirar o estado de sítio da pessoa.

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