O México sob a ameaça de Trump
A melhor, ainda que incerta, salvaguarda de Sheinbaum ante a ameaça de ataques norte-americanos é o Mundial de Futebol que em Junho começa a rolar no México, Estados Unidos e Canadá
Sucessivas ameaças de Donald Trump de desencadear ataques em território do México a cartéis de droga assumiram maior premência após a intervenção na Venezuela.
Claudia Sheinbaum, desde que sucedeu ao presidente López Obrador, em Outubro de 2014, tem contemporizado com Trump, sobretudo na repressão da emigração clandestina, mantendo a retórica de soberania plena do México.
De momento, a melhor, ainda que incerta, salvaguarda de Sheinbaum ante a ameaça de ataques norte-americanos é o Mundial de Futebol que em Junho começa a rolar no México, Estados Unidos e Canadá.
A renegociação do acordo comercial entre os três estados da América do Norte e da América Central –em vigor desde Julho de 2020 e válido por seis anos – oferece, igualmente, margem para compromissos.
As divergências acerca da gestão de recursos hídricos dos rios Grande, Colorado e Tijuana representa outra oportunidade negocial para obstar a acções militares unilaterais de Trump na esperança das eleições para o Congresso de Washington de Novembro redundarem numa derrota republicana.
Sheinbaum espera, ainda, ter aplacado Trump com o aumento de tarifas sobre importações chinesas decretado este ano pelo México, em especial com um acréscimo de 50% às importações de carros eléctricos.
O México depende, todavia, – tal como os Estados Unidos e Canadá – da eventual cooperação de Pequim na repressão à venda por empresas chinesas de precursores químicos essenciais à produção de fentanil pelos cartéis de droga mexicanos.
A cooperação no combate ao tráfico de droga ficou, também, marcada no ano passado pela transferência para os Estados Unidos de 54 detidos à guarda das autoridades mexicanas, entre eles Rafael Caro Quintero, o famigerado «narcos de los narcos» da década de 1980, capturado em 2022.
O vínculo a Cuba
Os números divergem quanto às vendas mexicanas de crude e produtos refinados a Cuba, mas convergem no essencial: Havana depende agora dos combustíveis que chegam do México.
Scheinbaum, assumindo o ideário de esquerda nacionalista do «Morena» –, o «Movimiento de Regeneración Nacional» fundado por Obrador em 2011 –, justifica o trato comercial com Cuba pela tradição soberana do México que nunca aceitou um embargo comercial a Havana após a tomada do poder por Fidel Castro em 1959.
A empresa estatal «Pemex» indica vendas de 17 200 barris/dia de crude e 2 mil barris de produtos refinados nos primeiros nove meses de 2025, com um valor aproximado de 400 milhões de dólares, superando, em 2025, as exportações da Venezuela.
O bloqueio marítimo norte-americano e controlo de vendas de petróleo a que periclitante liderança chavista de Caracas se encontra obrigada criaram uma situação insustentável à presidente Scheinbaum.
Na lógica de Washington, nos termos definidos pelo secretário de estado Marco Rubio e presentemente aceites por Trump, apertar a tarraxa a Cuba obriga a cortar todos os fornecimentos de combustível, excluindo, talvez, vendas ou dádivas mínimas por razões humanitárias.
Na lógica da guerra contra a droga de Trump – que ignora programas profiláticos nos Estados Unidos incidindo sobre a procura – o México, tal como a Colômbia, surgem como alvos primordiais.
Os cartéis – termo genérico que engloba organizações federando diversos bandos, como «Jalisco Nueva Generación» e «Cártel de Sinaloa», ou de estrutura hierarquizada, caso dos «Caballeros Templarios», além de centenas de quadrilhas – estão enraizados na maior parte dos 31 estados mexicanos, parasitando instituições estatais.
As capturas de líderes têm gerado uma proliferação de gangues em luta pelos recursos locais, controlo de territórios de produção e rotas de tráfico de cocaína, metanfetaminas e heroína.
Bombardeamentos ou incursões de forças norte-americanas contra alvos presumivelmente ligados a cartéis mexicanos são apostas de alto risco e um desvario diplomático.
Texto escrito segundo o Acordo Ortográfico de 1945
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