Secções
Entrar
Eurico Reis Juiz Desembargador Jubilado
22.02.2026

Falhada a estratégia dos três salazares, será que há já "nevoeiro" suficiente para o regresso do D. Sebastião?

É absolutamente vital não deixar permitir por mais tempo a destruição do Estado Social e a deterioração do nível de vida dos portugueses e das portuguesas que é tão propício ao ressurgimento do novo D. Sebastião, ou seja, o verdadeiro herói e líder das Direitas, Pedro Passos Coelho.

A votação esmagadora do Povo Português em António José Seguro, mais não seja durante a próxima década, arrumou de vez com a estratégia dos “três Salazares”, mostrando, de igual modo, quão absurda e desfasada da realidade era a peregrina ideia de que André Ventura seria o líder da Direita em Portugal.

E esvaziou também a onda que estava a ser criada a favor de uma imperiosa necessidade (na verdade falsa e inexistente necessidade) de proceder a uma revisão extremista da Constituição de 1976.

E tudo isso é extremamente positivo.

Tal como o é o facto de, nos últimos quatro meses, sete vereadores - sete – eleitos nas listas do Chega terem abandonado o partido e assumido a qualidade de independentes.

E vamos ver o que irá acontecer no futuro, especialmente porque as populações afectadas pelos temporais, Ingrid, Joseph e Kristin que assolaram o país nas últimas semanas não irão aceitar (como já não o estão) as retóricas vazias de conteúdo prático.

O que os portugueses e as portuguesas querem e necessitam é de soluções concretas que minorem o sofrimento e os prejuízos em que actualmente estão ainda mergulhados, e lhes ofereçam perspectivas de um futuro melhor para as suas vidas.

E não será André Ventura e o Chega que serão capazes de formular e apresentar essas propostas e projectos.

Insisto, porém, que a vitória retumbante de António José Seguro, que também o foi contra todos os directórios políticos dos vários partidos nacionais, mesmo daqueles que, a contragosto, acabaram por o apoiar, não é suficiente.

O Estado da Nação é francamente mau e o governo de Luís Montenegro tem-se mostrado francamente incompetente. A todos os níveis.

E a culpa é da direcção política do governo e não apenas deste ou daquele (ou desta ou daquela) ministro(a).

Aliás, embora isto de fazer previsões é uma “coisa” muito complicada, atrevo-me a antecipar que este primeiro-ministro e este governo, por mais remodelações que possam ser feitas – e irão sê-lo, como já aconteceu no Ministério da Administração Interna -, não chegarão ao final da Legislatura.

Ainda que, como é altamente provável, a actual Legislatura não seja – presumo que não irá sê-lo – interrompida com novas eleições gerais parlamentares antecipadas.

E, já agora, recordo que, por si só, a não aprovação do Orçamento de Estado não constitui motivo suficiente para que seja decretada a dissolução da Assembleia da República.

Efectivamente, ao contrário do que acontece nos EUA, em Portugal, como na maioria dos países do Mundo, o Estado não para se o Orçamento de Estado não for aprovado, “Viver a duodécimos” não é, de todo, a pior das alternativas e pode muito bem ser até uma solução muito aceitável.

Recordo que a Bélgica, por mais de uma vez, vive com governos de gestão, sem programa aprovado no Parlamento, e que, recentemente, os Países Baixos estiveram meses a fio sem governo após as eleições gerais realizadas a 29 de outubro de 2025.

Mesmo com a actual composição da Assembleia da República, caso nisso haja interessados, são várias as possibilidades de formação de um governo suficientemente estável.

Todavia, duvido muito que isso seja possível com Luís Montenegro e o actual governo de permanente (e intolerável) cedência ao programa político e ao ideário xenófobo, racista, intolerante e fascista (ou pelo menos fascizante) de André Ventura e do Chega.

A ver vamos o que nos irá acontecer.

Mas, voltando ao actual estado deplorável do país que as recentes intempéries agravaram ainda mais, o generalizado descontentamento das populações é genuíno e plenamente justificado.

E, porque assim é (e é mesmo), se não for invertido o percurso descendente de perda de direitos individuais e sociais e de degradação da qualidade de vida que temos vindo a sofrer nos últimos 20 anos, esse descontentamento poderá ser aproveitado já não por Ventura e os seus apaniguados e as suas apaniguadas, mas sim por outros pretensos “salvadores da Pátria” cujo caminho, aparentemente mais moderado e credível, foi devidamente preparado pelas gentes do Chega.

É, portanto, absolutamente vital não deixar “adensar o nevoeiro” (isto é, permitir por mais tempo a destruição do Estado Social e a deterioração do nível de vida dos portugueses e das portuguesas) que é tão propício ao ressurgimento do novo D. Sebastião, ou seja, o verdadeiro herói e líder das Direitas, Pedro Passos Coelho.

E, mais do que reuniões do Conselho de Estado – de um novo Conselho de Estado, acrescento -, penso que, após a sua tomada de posse como novo Presidente da República, a prioridade de António José Seguro deve ser a de iniciar, tão cedo quanto possível, as Presidências Abertas para que a população do País - toda a população, de todo o País - possa fazer ouvir a sua voz e se sinta finalmente respeitada.

Obviamente, porque, na sequência da votação que obteve, dispõe de uma liberdade de iniciativa e de uma margem de manobra como talvez nenhum dos seus antecessores tiveram, o novo Presidente da República fará o que melhor achar por conveniente, mas, como cidadão preocupado que sou, é-me lícito emitir as minhas opiniões (e os meus anseios).

Tal como me é legítimo – e aos muitos que partilham dessa opinião – sustentar que o imperativo constitucional, nunca cumprido, da regionalização do território continental, deve começar a ser debatido.

A, apesar das vozes dos centralistas do costume, que já se começaram a congregar, estou convicto que esse debate vai mesmo avançar.

Sem a regionalização do Continente o País nunca passará “da cepa torta” e o despovoamento e a desertificação do Interior ir-se-ão acentuar cada vez mais.

As CCDR (Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional - que são cinco) não são e nunca serão a solução para os problemas estruturais que nos afectam. Bem pelo contrário.

E será a esse assunto que me irei dedicar nos próximos tempos.

Mais crónicas do autor
22 de fevereiro de 2026 às 09:03

Falhada a estratégia dos três salazares, será que há já "nevoeiro" suficiente para o regresso do D. Sebastião?

É absolutamente vital não deixar permitir por mais tempo a destruição do Estado Social e a deterioração do nível de vida dos portugueses e das portuguesas que é tão propício ao ressurgimento do novo D. Sebastião, ou seja, o verdadeiro herói e líder das Direitas, Pedro Passos Coelho.

15 de fevereiro de 2026 às 08:51

As pessoas acima de tudo. Sempre

Tenho a esperança de que um desses efeitos da esmagadora vitória do Presidente Eleito seja o de podermos voltar a debater, de uma forma racional e com razoabilidade, as soluções técnicas e políticas para os graves problemas do País que já existiam antes destas intempéries, mas que foram seriamente agravados com a eclosão das mesmas.

08 de fevereiro de 2026 às 09:44

Hoje é mesmo muito necessário votar

Como nunca aconteceu desde 25 de abril de 1974, o futuro de todos e todas nós está muito dependente da participação dos eleitores e das eleitoras neste importantíssimo acto cívico.

01 de fevereiro de 2026 às 10:50

Pela democracia lutar. Contra a abstenção, votar, votar

É absolutamente necessário - mais, é verdadeiramente indispensável e vital - que a derrota de André Ventura nestas eleições seja esmagadora.

25 de janeiro de 2026 às 12:01

França 2002 e Portugal 2026 - A falência moral e ética de alguma direita

Os resultados da primeira volta das eleições presidenciais em Portugal não foram tão maus como alguns supunham.

Mostrar mais crónicas
Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana.
Boas leituras!