Será a saúde mental, a próxima pandemia?
Carla Capucha Psicóloga
24 de fevereiro

Será a saúde mental, a próxima pandemia?

E depois aparece a culpa. A culpa de parar, quando os outros continuam, a culpa de desistir quando há tanto trabalho para ser feito, a culpa e a vergonha de sentir que não se aguenta mais.

Vivemos neste momento um estado pandémico de exaustão generalizada em todos os campos, físico, mental, cognitivo, emocional, e por aí fora. Pessoas cansadas deixam de funcionar, de pensar e até de sentir e, neste momento, todas as pessoas estão cansadas. Pior, sem esperança. 

Neste caldeirão de dúvidas, contra-relógios, perguntas sem resposta e emoções descontroladas é fácil sentir que nos perdemos de nós, que nos afastamos do nosso Eu, que não nos reconhecemos nas nossas próprias ações e pensamentos.

Algo tem de ceder sob a tremenda pressão em que vivemos há praticamente um ano, e as pessoas estão, rápida e massivamente, a ceder. Mais grave ainda, estão a ceder em silêncio, com medo e com vergonha, vergadas por uma cultura que lhes ensinou que pedir ajuda é sinal de fraqueza, que não aguentar é equivalente a falhar. Perante a insegurança exterior, a segurança interna também é abalada e se uma mente forte e resiliente vai abaixo mas sabe retomar a forma, nem todos aprendemos e desenvolvemos essa capacidade.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login