Morreu Ali Khamenei, o religioso que transformou o Irão numa potência regional
Cria-se um vácuo na liderança do Irão, dada a ausência de um sucessor conhecido do aiatola que liderou o país com uma mão de ferro.
A notícia da morte do aiatola Ali Khamenei foi anunciada por um jornalista da televisão estatal iraniana em lágrimas. Há 36 anos que o líder supremo estava à frente do Irão, tendo sucedido a Ruhollah Khamenei, o homem que liderou a revolução de 1979.
Durante os mais de 30 anos em que liderou os destinos do Irão, Khamenei teve semrpe uma mão de ferro, tendo sido implacável contra os dissidentes e prometido guerra a todos os inimigos do país (regionais e não só).
A notícia da morte de Khamenei foi anunciada quase 24 horas depois do início de uma operação conjunta entre Israel e Estados Unidos no Irão. "Khamenei, uma das pessoas mais maléficas da história, está morto", escreveu Trump numa publicação nas redes sociais, alertando para a continuação de "bombardeamentos pesados e precisos" ao longo da semana. O presidente norte-americano afirmou que este ataque era necessário para obliterar as capacidades nucleares do Irão.
Durante a sua liderança, Khamenei reforçou o poder do clérigo no Irão, impondo uma sociedade ultraconservadora e violenta. Para o conseguir, foi instrumental a atuação da Guarda Revolucionária. Esta força paramilitar foi criada para proteger o regime islâmico do Irão, funcionando como um contrabalanço às forças já existentes. A Guarda responde ao líder supremo do Irão, que comanda o governo muçulmano xiita e é considerada uma "guardiã ideológica" da revolução iraniana. Desde a revolução de 1979, que provocou a queda do xá Mohammad Reza Pahlavi, que é a guarda pessoal do líder supremo.
O Irão é também responsável por ter treinador milícias em Gaza, no Iraque, Líbano e Iémen, espalhando a sua influência por todo o Médio Oriente, competindo nesse campo com Israel e a Arábia Saudita. Israel foi um dos principais inimigos do aiatola, a par dos Estados Unidos.
Reação à morte
"Com o martírio do líder supremo, o seu caminho e a sua missão não serão perdidos nem esquecidos; pelo contrário, serão prosseguidos com mais vigor e zelo", declarou um apresentador da televisão estatal. Os Guardas da Revolução iranianos, tropa especial do aiatola, prometeram uma "punição severa" aos "assassinos" do líder supremo, cuja morte foi confirmada anteriormente pela televisão estatal.
Num comunicado, os Guardas condenaram "os atos criminosos e terroristas cometidos pelos governos maléficos dos Estados Unidos e do regime sionista", acrescentando: "a mão vingativa da nação iraniana não os deixará em paz até infligir aos assassinos do imã da Oumma um castigo severo e decisivo do qual eles arrependerão".
A morte de Khamenei cria um vácuo de liderança, dada a ausência de um sucessor do aiatola conhecido e porque o líder supremo de 86 anos teve a palavra final em todas as principais políticas durante décadas no poder.