O académico Nathan Cofnas foi suspenso pela Universidade de Ghent, enquanto decorre uma "investigação disciplinar preventiva". Em causa está a acusação de plágio que fez ao professor britânico Jason Arday, no mês passado, e que tomou uma proporção internacional. Jason Arday acabou por se demitir a 5 de agosto e, na sexta-feira, foi encontrado morto em sua casa.
Nathan Cofnas é o académico que acusou Jason Arday de plágio Nathan Cofnas via X
Em 2023, Jason Arday, de 41 anos, tornou-se no professor negro mais jovem da história da Universidade de Cambridge. No mês passado, foi acusado de plagiar partes da sua tese de doutoramento e de ter distorcido partes do seu currículo. Embora a investigação não tenha confirmado as acusações, o caso ganhou visibilidade não apenas na Inglaterra, mas também por vários outros países - um nível de exposição pouco ou nada habitual em casos semelhantes.
Agora, a universidade belga onde Nathan Cofnas trabalha anunciou a suspensão do professor. "A universidade está a avaliar se existem fundamentos suficientes para encaminhar o caso para o órgão disciplinar competente para análise posterior. Enquanto aguarda o resultado dessa investigação preliminar, a Universidade de Ghent suspendeu o membro do corpo docente como medida de precaução", lê-se no comunicado.
A suspensão foi confirmada pelo próprio Nathan Cofnas, através de uma publicação no X. O professor tem recorrido à rede social para falar sobre este caso.
I was just suspended by Ghent University. They will almost certainly fire me.
The decision was made by rector Petra De Sutter, a former leader of the Green Party.
A Universidade de Ghent escreveu ainda que "preza pelo respeito à dignidade humana e opõe-se à discriminação, ao ódio e ao racismo". "Atribuímos grande importância à liberdade acadêmica e ao debate acadêmico aberto, mesmo quando as opiniões são controversas. No entanto, essa liberdade não é ilimitada. Ela anda de mãos dadas com a responsabilidade e pode ser restringida para proteger os direitos de terceiros."
O caso tem levantado debates sobre a possibilidade de Jason Arday ter beneficiado de forma injusta das políticas de diversidade, igualdade e inclusão. De um lado, há quem defenda que a contratação revela que valores políticos se sobrepuseram à competência do professor. Por outro lado, há quem questione o que levou a um escrutínio público tão intenso, tendo em consideração que casos de alegado plágio são relativamente comuns, mas não atingem a mesma exposição, e que a investigação não confirmou nenhum crime.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.