Ministério da Saúde espanhol pediu que as comunidades autónomas cedam 45 mil vacinas contra o sarampo, papeira, rubéola, entre outras. Maioria respondeu de forma positiva, mas vários questionaram os desafios logísticos da operação.
O Ministério da Saúde de Espanha planeia enviar 45 mil vacinas para Ceuta para tratar os migrantes que entraram irregularmente, após o fluxo migratório de 30 de julho.
Migrantes que cruzaram a fronteira de Marrocos para CeutaFoto AP/Antonio Sempere
Na reunião da Comissão de Saúde Pública, o departamento da Saúde chefiado por Mónica García solicitou às comunidades autónomas a cedência de 15 mil doses da VASPR (contra o sarampo, papeira e rubéola), bem como dois lotes de 10 mil doses das vacinas contra a difteria e tétano, varicela e poliomielite.
Segundo o jornal espanhol El Mundo, todas as comunidades autónomas responderam positivamente ao mecanismo de solidariedade, embora vários responsáveis regionais da Saúde tenham manifestado preocupação quanto à logística de distribuição.
Entre eles está o conselheiro de Saúde do Governo de Aragão, Ángel Sanz, que assegurou que a região irá colaborar. O objetivo "é ajudar Ceuta e os seus habitantes, que têm o nosso total apoio e solidariedade", afirmou. Para isso, acrescentou, Aragão "fornecerá as vacinas necessárias" para Ceuta.
O responsável acrescentou ainda que "Aragão sempre foi uma região que demonstra solidariedade com o resto de Espanha e continuará a fazê-lo. Neste caso, dada a situação em Ceuta, ainda mais".
Apesar disso, Sanz afirmou ter solicitado ao Ministério da Saúde esclarecimentos sobre a forma como será organizada toda a logística de distribuição entre as diferentes comunidades autónomas. O conselheiro questionou também que medidas serão adotadas e de que forma "os recursos solicitados serão efetivamente aplicados".
"Não basta pedir vacinas. Toda a operação precisa de ser organizada", defendeu. "Assim que uma comunidade autónoma disponibiliza vacinas para Ceuta, inicia-se uma operação logística que não pode ser improvisada, e o Ministério deve explicar como pretende organizar essa operação", pois "não podemos ter 17 soluções logísticas diferentes."
Ángel Sanz não deixou, contudo, de considerar que o "governo espanhol está atrasado para uma situação que já havia previsto".
Além de Aragão, também o conselheiro de Saúde de Cantábria, César Pascual, confirmou esta segunda-feira que irá contribuir. Ainda assim, frisou que o envio não poderá comprometer as necessidades locais de vacinação. "Temos uma população para vacinar. [Ceuta] é uma cidade pequena e não necessita de um volume significativo", afirmou.
À semelhança do responsável de Aragão, também Pascual apontou a logística do envio como "o maior problema" da operação, recordando que algumas das vacinas exigem conservação permanente em cadeia de frio.
César Pascual recordou ainda que o Ministério da Saúde "tem de se apressar", uma vez que em junho foi aprovada uma estratégia que previa a vacinação dos migrantes no prazo de três semanas. "Esse prazo já passou e agora ocorre-lhes pedir às comunidades autónomas que venham em seu auxílio", disse.
Acusou ainda o Estado de não ter comprado vacinas e de não ter dado "início ao processo de aquisição desde junho".
Quanto a Madrid, a conselheira de Saúde, Fátima Matute, garantiu que a região responderá com "solidariedade e responsabilidade" ao pedido, mas alertou que essa disponibilidade não poderá ser usada para "encobrir a falta de visão e preparo do Ministério".
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