Ex-procurador conduzirá inquérito para perceber os recursos que estavam ao dispor de Arday na altura em que morreu.
A Universidade de Cambridge escolheu um antigo procurador britânico para liderar a investigação interna lançada pela universidade à morte de Jason Arday, o académico que foi encontrado morto em agosto depois de se ter demitido da universidade na sequência de várias acusações de plágio e de terem sido levantadas questões sobre a sua biografia e carreira académica.
Portador da tocha olímpica de Londres 2012JOE GIDDENS
Arday tornou-se conhecido depois de se tornar o mais jovem professor negro na história de Cambridge, com 37 anos. Mas este ano começou a ser alvo de acusações de plágio e dúvidas sobre o seu percurso de vida. Depois de rejeitar todas as acusações, Arday acabou por demitir-se quando a Universidade de Cambridge anunciou uma investigação interna às qualificações do professor. Alguns dias depois, o professor universitário, foi encontrado morto em casa.
“Trabalhámos muito para apoiar o professor Arday durante um período terrível de críticas e de atenção externa, mas, tendo em conta o desfecho devastador, estamos todos a questionar-nos se poderíamos e deveríamos ter feito mais”, disse a vice-chanceler da universidade, Deborah Prentice, que anunciou que a universidade vai investigar os contornos da morte de Arday e chamou o ex-procurador inglês para coordenar o inquérito. “Estamos comprometidos em garantir que quaisquer recomendações que surjam deste inquérito sejam discutidas e adotadas com responsabilização clara para implementar as mudanças necessárias", disse, citando o The Guardian.
Segundo a universidade, o inquérito terá como objetivo tentar compreender as várias dimensões do caso, desde o recrutamento dos académicos até ao apoio que está ao dispor dos professores quando estes estão “sujeitos a um escrutínio público e mediático extraordinário”. “Estou honrado por ter sido convidado para liderar a primeira parte deste importante inquérito independente”, afirmou Afzal ao mesmo jornal britânico.
O escrutínio intensificou-se em julho, quando Nathan Cofnas, antigo investigador de Filosofia em Cambridge, levantou publicamente dúvidas sobre o percurso académico de Arday. Cofnas é um antigo investigador de Filosofia na mesma universidade, cargo que abandonou após as suas críticas aos programas de diversidade, equidade e inclusão terem provocado protestos.
Vários apoiantes de Arday, entre os quais mais de duas dezenas de académicos e políticos, classificaram as acusações de plágio como uma “campanha de difamação” destinada a minar Arday e outras pessoas negras que ocupam “posições de influência”. À margem destas acusações, alguns meios de comunicação britânicos também questionaram as afirmações de Arday de que teria angariado 5,5 milhões de libras (cerca de 6,4 milhões de euros) para instituições de caridade através de desafios como correr 30 maratonas em 35 dias.
Arday morreu na mesma semana de publicação das suas memórias. Intituladas Great and Unfortunate Things (Grandes e Infelizes Coisas), foram publicadas pela editora Simon & Schuster que decidiu avançar com a sua publicação, mesmo apesar das dúvidas levantadas sobre a credibilidade de Arday. Então, numa declaração divulgada através da editora, avança a Associated Press, a família de Arday lamenta que a "campanha de desinformação" e de "abuso contínuo (...) por parte de pessoas que não pouparam esforços na sua tentativa de o desacreditar” tenha sido "demasiado para Jason", descrevendo-o como "um homem gentil e que procurava sempre ver o melhor em cada pessoa”.
O próprio Jason Arday dizia-se inocente das acusações. Quando se demitiu do cargo de professor de Sociologia da Educação, partilhou uma declaração onde admitia que o caso tinha tido um "impacto profundo" na sua vida, acrescentando que a sua saída não deveria “ser interpretada como uma aceitação das narrativas que me têm rodeado”.
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