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ONG denuncia "genocídio viral" na Nicarágua e pede intervenção da OMS

18 de maio de 2020 às 22:47

Secretário executivo da Associação Nicarágua para os Direitos Humanos diz que governo do presidente Ortega e da parceira Rosario Murillo está "a agir de forma irresponsável e negligente" ao não tomar medidas preventivas face à pandemia.

Uma ONG nicaraguense denunciou, esta segunda-feira, que o governo da Nicarágua está a cometer um "genocídio viral", devido à ausência de medidas para travar a pandemia dacovid-19, e pediu a intervenção da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O secretário executivo da Associação Nicarágua para os Direitos Humanos (ANPDH), Álvaro Leiva, que vive em exílio na Costa Rica, disse à Efe que o Governo do presidenteDaniel Ortegae da parceira Rosario Murillo "está a agir de forma irresponsável e negligente" ao não tomar medidas preventivas face à pandemia.

"Na Nicarágua, o que aconteceu hoje é um genocídio viral. Nós enquadramo-lo nas fraudes e más intenções do regime Ortega Murillo, onde todos os atos apontam para o desenvolvimento de um contágio massivo da população indefesa", disse Leiva.
 
O ativista revelou que a ANPDH já apresentou uma queixa à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e também solicitou a intervenção da OMS ou da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

"Queremos convocar publicamente a OMS e a OPAS para que estas organizações deem uma explicação satisfatória pela indiferença e silêncio perante a situação alarmante de falta de proteção do povo nicaraguense", disse Leiva.

O defensor dos direitos humanos garantiu que estas organizações devem pressionar o governo de Ortega para fornecer os "dados reais sobre a crise".

O Observatório do Cidadão, que localiza independentemente os casos da covid-19 não reconhecidos pelas autoridades da Nicarágua, regista 233 mortes e 1.270 casos suspeitos.
 
O Governo da Nicarágua reconhece apenas 25 contágios e oito mortes, desde que a pandemia entrou oficialmente no país em meados de março.

O executivo foi criticado por vários setores por promover inúmeros eventos e aglomerações massivas contra as recomendações atuais da OMS e por não estabelecer restrições ou suspender aulas no meio da pandemia.

Leiva garantiu que, atualmente, "o nível de contágio do povo da Nicarágua é o mais elevado" e que é impossível realizar um controlo preciso dos doentes e mortos.

"Lançamos um S.O.S. para a comunidade internacional e organizações internacionais porem os olhos na Nicarágua perante a inoperância do regime", acrescentou.

Leiva afirmou que o Governo de Ortega está a exercer uma "conduta criminosa de um regime ditatorial que tem consequências muito graves para os outros países da América Central, especialmente a Costa Rica".

Na semana passada, o Congresso da Costa Rica enviou uma carta à OPS para avaliar a situação da pandemia na Nicarágua, um texto que o Parlamento nicaraguense, dominada pelo sandinismo apoiante de Ortega, rejeitou com uma série de insultos.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 316.000 mortos e infetou mais de 4,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,7 milhões de doentes foram considerados curados.

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