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Governo finlandês prepara-se para uma eventual crise com a Rússia

Lusa 20 de fevereiro de 2026 às 11:55

País nórdico aumentou o orçamento para o setor da defesa.

A Finlândia, país membro da Aliança Atlântica, aumentou o orçamento para o setor da defesa, enquanto o Governo afirma que está preparar-se para enfrentar uma crise com a Rússia.
O ministro da Defesa finlandês, Antti Häkkänen AP
No ano passado, a Finlândia gastou 6,5 mil milhões de euros em defesa, o que representa 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em comparação com 1,9% em 2022. A Finlândia deve também receber este ano o primeiro de 64 aviões de combate F-35 norte-americanos. O país partilha uma fronteira terrestre de 1.340 quilómetros com a Rússia e parte do seu território foi anexado pela União Soviética em 1940. Em abril de 2023, a Finlândia pôs fim a décadas de não alinhamento militar ao aderir à Aliança Atlântica. A entrada na NATO foi uma consequência da invasão da Ucrânia pelas forças de Moscovo. "Antes tínhamos de nos desenrascar sozinhos. Com a ajuda de amigos, claro, mas sobrevivendo por conta própria. Agora, estamos totalmente integrados na NATO; é uma grande mudança na nossa abordagem à defesa", disse o ministro da Defesa finlandês, Antti Häkkänen, em entrevista à Agência France Presse. Para o governante, a Rússia, "preocupada com o conflito na Ucrânia", não representa atualmente uma ameaça militar direta, mas, sublinhou, pode tornar-se agressiva no futuro.
Nesse sentido, Antti Häkkänen afirmou que a Finlândia precisa de agir "rapidamente" para reforçar defesas. Em janeiro, o Governo de Helsínquia abandonou a Convenção de Otava, que proíbe o uso das as minas terrestres antipessoais, e admite minar a zona de fronteira com a Rússia em caso de crise. Perto do território finlandês, o exército russo está a reativar ou a reforçar bases, mas "por enquanto" não aumentou significativamente a presença militar na região, devido à guerra que trava contra as tropas ucranianas. Face aos ataques de que os russos são suspeitos, a Finlândia reforçou também os sistemas de vigilância de cabos submarinos no Mar Báltico. A Finlândia também fechou a fronteira com a Rússia "até novas ordens", temendo que o país vizinho possa orquestrar a chegada de migrantes provocando desestabilização, como aconteceu em 2023. Nesse sentido, a Finlândia iniciou a construção de uma vedação fortemente vigiada com 200 quilómetros de comprimento em pontos estratégicos. Com a vigência do serviço militar obrigatório, o país conta com uma reserva de 900 mil cidadãos, de uma população de 5,6 milhões.
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