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Dos livros de desenvolvimento pessoal a presidência. Augusto Cury é o candidato brasileiro que mais cresce

Débora Calheiros Lourenço 03 de setembro de 2026 às 07:00

O psiquiatra e escritor, com um património de 40 milhões de euros, encontra-se em terceiro lugar nas sondagens.

Augusto Cury é um dos candidatos à presidência da república brasileira e o que registou um maior aumento nas sondagens depois do primeiro debate presidencial, a 22 de agosto, onde se demarcou como uma alternativa à polarização entre direita e esquerda.  

Augusto Cury, autor de livros de desenvolvimento pessoal, é o candidato brasileiro com maior crescimento Tiago Sousa Dias/Medialivre

Cury, de 67 anos, é natural de Colina, no interior de São Paulo, e psiquiatra de formação. Estudou na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e tem uma pós-graduação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, ao longo da sua carreira direcionou os seus estudos para temas ligados à formação dos pensamentos e à gestão das emoções. Um cos seus grandes propósitos foi o desenvolvimento da Teoria da Inteligência Multifocal, uma abordagem que estuda a formação do pensamento e a influência das emoções sobre o comportamento humano.  

Atualmente é professor de pós-graduação e escritor de livros sobre comportamento e saúde mental com mais de 40 milhões de livros vendidos no Brasil e publicado em mais de 70 países. O Vendedor de Sonhos - que foi adaptado para o cinema – Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século e O Homem Mais Inteligentes da História são alguns dos seus best-sellers. Augusto Cury é o candidato, ou “presidenciável” como é comummente referido no Brasil, com maior património declarada à Justiça Eleitoral  - mais de 242 milhões de reais, 40 milhões de euros. 

Considerando as sondagens da BTG/Nexus e AtlasIntel/Bloomberg divulgadas na manhã de segunda-feira, Cury ocupa o terceiro lugar na corrida, com cerca de 11% das intenções de voto para a primeira volta, um aumento de nove pontos percentuais em relação ao início da campanha.  

Um sucesso entre os jovens

É entre os eleitores mais novos, entre os 16 e os 24 anos, que Augusto Cury tem mais popularidade. Nessa faixa etária o psiquiatra tem 22% das intenções de voto nessa faixa etária, enquanto Lula tem 25% e Flávio 32%. 

Talvez por isso o candidato teve um crescimento significativo nas redes sociais – na casa dos milhões de seguidores e alcançando os 10,7 milhões – e nas procuras pelo seu nome no Google.  

Criadores de conteúdos de diferentes áreas, incluindo lifestyle, saúde, entretenimento e até obras, publicaram vídeos a manifestar o seu apoio a Augusto Cury. Praticamente todos seguem o mesmo guião: estavam indecisos no seu voto até encontrarem o escritor e é por isso que alguns dos seus opositores têm questionado se estes vídeos se tratam de uma parte da campanha e os influenciadores terão sido pagos.  

Um candidato com "mente capitalista e coração social"

A sua pré-candidatura foi confirmada pelo partido Avante em abril deste ano. Logo nessa altura Augusto Cury fez um post nas redes sociais onde disse que o seu objetivo era “contribuir para a construção do Brasil dos sonhos”. Assim, o escritor chega à política logo nas eleições para o cargo mais poderoso do país. “Não amo o poder, não preciso do poder e não busco o poder pelo poder. Não se trata de um projeto pessoal, mas de uma jornada”, referiu na altura. 

Quanto ao seu posicionamento político, o psiquiatra afirmou ser um defensor do “equilíbrio” e procurar diálogo ao centro, garantindo que não se vê como uma ameaça “para a esquerda nem para a direita”.  

Logo no primeiro debate, o candidato chamou a atenção para a necessidade de políticas para a saúde mental, nerodivergência e educação, deixando clara a influência que a sua trajetória profissional vai ter no cargo e a não categorização do seu pensamento político: “No mundo todos, nos enganaram, de maneira cruel, dizendo que temos de estar divididos em dois barcos. Mas mais de 90% das dores das pessoas não têm cor ideológica. A dor da mulher morta pelo parceiro não é de direita ou de esquerda. A das pessoas neurodivergentes também não é”.  

Numa entrevista à Folha de São Paulo chegou a esclarecer: “Eu sou de centro. Sou mente capitalista e com um coração que cuida dos desvalidos”.  

Anteriormente já tinha dito à que “essa mente capitalista tem que ser acompanhada de um coração social, que valoriza os direitos humanos no mias alto nível, a educação de qualidade, a proteção da mulher”.  

Augusto Cury referiu que se fosse eleito teria apenas oito ministérios e referiu que apostaria num modelo para fortalecer as secretarias executivas na estrutura de cada pasta através de um “pacto nacional”.  

Na área de segurança prometeu integrar as forças policiais do país e criar uma nova corporação focado no trabalho preventivo, chamada “Foco”, que contaria com 5% da força de trabalho dos municípios brasileiros. “Pior do que o crime organizado é o Estado desorganizado. Precisamos encorpar, treinar e valorizar a Polícia Federal”, defendeu. 

Cury já criticou a frase “bandido bom é bandido morto” classificando esse tipo de discurso como estúpido e defendeu a necessidade de rever o sistema judicial porque considera que neste momento faz “com que a sociedade pague duas vezes, porque são de 3 mil reiais a 4 mil reais gastos por mês com cada prisioneiro, e quando ele retorna à sociedade, reincide no crime e volta ao presídio”. No debate Augusto Cury afirmou que “o Brasil aprisiona muito, ao contrário do que se acredita. Os criminosos devem, sem dúvida, ir às barras da Justiça, mas quem estamos aprisionando? São os criminosos de alta periculosidade ou jovens que não têm como sobreviver e acabam cometendo crimes, vendendo drogas?”. 

Quando ao papel do Brasil no cenário internacional, Augusto Cury acredita que poderia ajudar a solucionar impasses entre vários líderes mundiais. “Se tivesse o privilégio de sentar na cadeira de presidente, nos primeiros dias chamaria vários políticos, como Putin e Zelensky, para conversar, porque sou em especialista em pacificação de conflitos, tenho livros sobre isso”, referiu à BBC.  

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