Deputada do Chega acusa mayor de Nova Iorque de ter "ligações a terroristas"
Zohran Mamdani compareceu nas celebrações oficiais do 11 de setembro em Nova Iorque apesar de tentativas de bloqueio por parte de adversários políticos.
Zohran Mamdani é muçulmano. E também presidente da câmara de Nova Iorque. E, segundo a deputada do Chega Cristina Rodrigues, "tem ligações a terroristas". A deputada não esclareceu que ligações serão essas e não há qualquer suspeita credível que Mamdani tenha ligações à Al-Qaeda ou qualquer outro grupo terrorista.
Numa publicação feita nas redes sociais, em que, alegadamente, Cristina Rodrigues tentava homenagear as vítimas da tragédia do 11 de setembro, a deputada escreve: "Faz hoje 25 anos do ataque terrorista do 11 de setembro. Sei exatamente onde estava e o que estava a fazer. A ameaça não desapareceu, está bem presente, apenas diferente". Este início não era diferente de tantos que foram escritos esta sexta-feira, dia em que se assinalam 25 anos daquela terça-feira cinzenta. Mas as frases seguintes foram mais originais: "Quem diria que passado todo este tempo, Nova Iorque teria um mayor muçulmano com ligações a terroristas. Uma traição a todas as vítimas", escreveu no X.
No entender da deputada do Chega, os nova-iorquinos que elegeram um mayor muçulmano estão a trair as vítimas do ataque terrorista levado a cabo pela Al-Qaeda em 2001.
Rodrigues não é a única incomodada com a religião de Mamdani. Uma petição com mais de 110 mil assinaturas, incluindo parentes das vítimas, pediu que Mamdani não comparecesse às homenagens no memorial onde decorreu a homenagem oficial. A tese oficial dos signatários é que o mayor é “insuficientemente crítico das ideologias extremistas”, em referência às suas posições anti-Israel e pró-Gaza. “Sentimos que a presença de Mamdani seria uma falta de respeito com os membros da nossa família, devido às pessoas que ele apoia”, afirmou um dos autores da petição, Giovanni Galante, que perdeu a esposa Grace no atentado.
O próprio ex-mayor Rudy Giuliani e o ex-governador do estado de Nova Iorque George Pataki, que estavam nos cargos no dia 11 de setembro de 2001, corroboraram a tese de que Mamdani é persona non grata no tributo. Mas mesmo assim, Mamdani marcou presença na cerimónia depois de ter garantido: "Tenho orgulho em ser o mayor desta cidade. Adoro esta cidade. E adoro este país. O que eu quero esta semana é que nos foquemos nas famílias que perderam os entes queridos há 25 anos no horroroso ato de terrorismo que foi o 11 de setembro e também nos first responders que fizeram tudo o que puderam".