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Deixa namorada morrer congelada na montanha e é considerado culpado por homicídio involuntário

Isabel Dantas 20 de fevereiro de 2026 às 11:21

Caso está a dar que falar na Áustria e na comunidade de alpinistas.

Um alpinista austríaco foi considerado culpado de homicídio involuntário depois de deixar a namorada - que morreu de hipotermia - sozinha na mais alta montanha do país em janeiro do ano passado. O homem foi condenado a cinco meses de prisão com pena suspensa - incorria numa pena de três anos -, tendo ainda de pagar uma multa no valor de 9.600 euros no âmbito de um processo que gerou muita discussão na sociedade austríaca e entre a comunidade de alpinistas nos últimos tempos.
O cume do Grossglockner fica a mais de 3 mil metros de altitude AP
Thomas Plamberger, de 39 anos, foi a julgamento em Innsbruck acusado de não ter garantido a segurança da namorada durante uma escalada ao Grossglockner, a mais alta montanha do país, cujo cume se situa a 3.797 metros de altitude. A acusação considerou que Plamberger é um alpinista experiente, mas cometeu uma série de erros que colocaram em risco a vida de Kerstin Gurtner, de 33 anos. O juiz, que também é alpinista, explicou que "a vítima estava a anos-luz" do réu em termos de habilidades na alta montanha. "Se tivesse agido de forma diferente, acredito firmemente que a sua namorada teria sobrevivido.” A acusação revelou que Plamberger já tinha abandonado uma ex-namorada na mesma montanha, depois de ela se queixar da dificuldade da escalada, uma alegação que o homem negou perentoriamente. Ao que parece, na escalada com Kerstin Gurtner o alpinista ignorou um helicóptero de resgate que sobrevoava o local, deixando a namorada exposta a ventos fortes e temperaturas tão baixas que até o chá congelou na garrafa térmica que levavam.
Ambos enfrentaram dificuldades depois da noite cair, já na parte final da escalada, por volta das 20h15 daquele dia 18 de janeiro. Gurtner escorregou e caiu, ferindo-se numa mão e na anca, mas o casal continuou e ignorou o helicóptero, às 22h30, até que ela desmaiou a cerca de 50 metros do cume. Plamberger tê-la-á deixado às 2h da manhã e desceu para buscar ajuda. A temperatura era de -8 graus e a sensação térmica de -20. Contou que ligou para os serviços de emergência às 0h35 e que Gurtner lhe disse que não conseguia ir mais longe, que ele deveria "seguir sozinho" e se salvar. O tribunal ouviu a equipa de resgate de montanha, que encontrou o corpo de Kerstin pendurado numa corda, de cabeça para baixo numa parede rochosa. "Ficámos admirados por ela ter permanecido naquela posição", disse um dos socorristas.  A questão neste julgamento era saber se Plamberger era ou não responsável pela morte de Gurtner, uma vez que a sua experiência em escalada colocava-o, na prática, como seu guia turístico. Ele referiu que a namorada estava em boa forma física e que tinham planeado a aventura juntos. "Eu não estava no comando de nada. Não tinha autoridade, poder ou superioridade sobre ela." A mãe de Gurtner acabou funcionar como testemunha a favor abonatória, pois disse ao tribunal que a filha era uma mulher determinada que “sabia exatamente no que se estava a meter”. Numa carta dirigida ao tribunal, os pais da vítima disseram que não culpavam o namorado. "Ela praticava corrida em montanha e tinha conquistado picos muito mais difíceis do que este.”
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