A atribulada relação de Trump e Leão XIV: das críticas do Pontífice ao conflito do Irão
Quando o cardeal Robert Prevost foi eleito o primeiro Papa norte-americano da história, Donald Trumo felicitou-o e notou ser um marco importante para os Estados Unidos. Agora, ambos discordam sobre a guerra no Irão e o presidente prefere que o líder da Igreja Católica deixe de ser "político".
O Papa Leão XIV e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encontram-se mais uma vez em desacordo, desta vez sobre a guerra no Irão. Através da rede social Truth Social Trump considerou Leão XIV “fraco” e refém da “esquerda radical”, sugerindo que Leão XIV devia o cargo enquanto líder da Igreja Católica ao presidente. Isto depois de o Sumo Pontífice ter declarado as ameaças da administração Trump ao Irão “verdadeiramente inaceitáveis”.
O Papa afirmou que não tinha medo da administração, “nem de falar alto sobre a mensagem do Evangelho, que é aquilo por que a Igreja trabalha”.
Contudo, não é a primeira vez que ambos discordam. No passado Robert Prevost já tinha criticado a política migratória norte-americana intensificada pela administração Trump.
A crítica a J.D Vance e às políticas migratórias
No início de 2025, o então cardeal Robert Prevost, atual Papa Leão XIV, utilizou as redes sociais para partilhar um artigo de opinião que criticava o vice-presidente dos EUA, J.D Vance. Na altura, o braço direito de Donald Trump justificou uma política de imigração severa, argumentando que o cristianismo estabelece uma hierarquia de cuidado para com os outros, colocando a família, a comunidade e os concidadãos acima dos estrangeiros.
“J.D Vance está errado: Jesus não nos pede para classificar o nosso amor pelos outros”, dizia o título do artigo partilhado por Prevost.
Felicitação ao primeiro Papa norte-americano
Em maio de 2025, quando o cardeal Prevost foi eleito Papa, Donald Trump foi imediatamente às redes sociais felicitar a nomeação do primeiro cardeal norte-americano. “É uma grande honra perceber que ele é o primeiro Papa norte-americano, que emoção e que grande honra para o nosso país”, afirmou, expressando o desejo de conhecer o Santo Padre. “Será um momento muito significativo”, concluiu.
Dias depois, na mesma plataforma, atribuiu o mérito da eleição de Leão XIV a si próprio. “Ele não constava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era norte-americano. Eles achavam que essa seria a melhor maneira de lidar com o presidente Donald J. Trump”, escreveu.
Contudo, segundo a agência noticiosa norte-americana Associated Press, o Colégio dos Cardeais tem historicamente olhado para os EUA com algum ceticismo devido à forma como a política militar e económica de Washington tem afetado o mundo, especialmente as nações mais pobres e carenciadas. Apesar de Robert Prevost ter nascido e crescido nos Estados Unidos, passou décadas em missão na América do Sul.
Palavras de união e paz na varanda da Basílica de São Pedro
As primeiras palavras de Leão XIV na varanda da Basílica de São Pedro, no Vaticano, momentos depois de ter sido eleito Papa, foram de paz e união. “A paz esteja convosco, a primeira saudação de Cristo ressuscitado, o Bom Pastor que deu a sua vida pelo rebanho de Deus”, proferiu em italiano.
Quando deu a sua primeira bênção dominical abordou a guerra da Rússia e da Ucrânia e os ataques entre Israel e o grupo armado Hamas na Faixa de Gaza, denunciando uma “terceira guerra mundial em pedaços”. Na segunda-feira seguinte, o Santo Padre iniciou uma audiência com jornalistas citando Jesus. “No Sermão da Montanha, Jesus proclamou: ‘Bem aventurados os pacificadores”, afirmou.
Sem medo da administração Trump
Na publicação de domingo em que Trump criticou Leão XIV, apelidando-o de “fraco”, o presidente afirmou que não queria um Papa que “critique o presidente dos Estados Unidos” porque está a fazer “exatamente” aquilo para que foi eleito. Acrescentou também que o Santo Padre devia “concentrar-se em ser um grande Papa e não um político”.
Leão XIV por sua vez reiterou que não está a falar como político. “Colocar a minha mensagem no mesmo plano que aquilo que o presidente tentou fazer aqui, penso que é não compreender qual é a mensagem do Evangelho”, disse o Líder da Igreja Católica à Associated Press. “Lamento ouvir isso, mas vou continuar com aquilo que acredito ser a missão da Igreja no mundo de hoje”, concluiu.