A série criada por Alan Ball transforma uma agência funerária familiar num retrato mordaz, comovente e inesperadamente luminoso sobre a vida, a morte e tudo o que fica por resolver.
Disponível em Portugal na Netflix e na HBO Max, Sete Palmos de Terra parte de uma premissa simples e fértil: depois da morte do patriarca Nathaniel Fisher, a família vê-se obrigada a continuar a gerir a sua agência funerária em Los Angeles, enquanto tenta lidar com os seus próprios fantasmas, ressentimentos e desejos adiados. Criada por Alan Ball, argumentista de Beleza Americana, a série estreou-se em 2001 e estendeu-se por cinco temporadas.
No centro estão os Fisher: Nate, o filho pródigo que regressa a casa quase por acidente; David, o irmão mais reservado e metódico; Claire, a filha mais nova, ainda à procura de uma voz própria; e Ruth, a mãe que descobre, tarde mas não demasiado tarde, que também tem direito a uma vida interior.
Peter Krause, Michael C. Hall, Lauren Ambrose e Frances Conroy dão corpo a uma família disfuncional sem nunca a reduzirem à caricatura, acompanhados por nomes como Rachel Griffiths, Freddy Rodríguez, Mathew St. Patrick e Richard Jenkins.
Cada episódio começa, quase sempre, com uma morte. Mas o que poderia ser apenas um artifício narrativo torna-se o motor moral da série. A morte de desconhecidos ilumina as fragilidades dos vivos, obriga-os a confrontar escolhas, medos, amores e versões de si mesmos que tentaram esconder. Entre o drama familiar, a comédia negra e uma espécie de realismo mágico, Sete Palmos de Terra fala do fim para perceber melhor o que fazemos antes de este chegar.
Mais de duas décadas depois, a série conserva uma rara atualidade. Não apenas pela forma como tratou temas como sexualidade, luto, religião, saúde mental e identidade, mas pela delicadeza com que recusou respostas fáceis. É uma série sobre uma família que trabalha com funerais, sim, mas sobretudo sobre pessoas que tentam aprender a viver sem ensaio geral.