O cantor britânico Ed Sheeran ficou sem músicos para fazer a abertura dos concertos da digressão Loop Tour, nos EUA, após a polémica com o rapper Macklemore, que foi afastado depois de manifestar apoio à Palestina, durante os concertos no MetLife Stadium, no início do mês. Esta terça-feira, Ed Sheeran começou por afirmar nas redes sociais que estava "consternado com o conflito entre Israel e a Palestina" e que "o sofrimento e a dor causados a ambos os lados constituem uma tragédia humana." Sobre a polémica com Macklemore, informou que as salas de espetáculos norte-americanas recusaram acolher os espetáculos da digressão caso o rapper continuasse a fazer parte do alinhamento e que a decisão de retirar Macklemore foi da promotora [Messina Touring Group]. "A saída de Macklemore da digressão foi uma decisão do promotor, não foi minha. Nunca desiludiria os fãs que tinham feito planos, nem abandonaria a equipa da digressão (...)", escreveu o cantor nas redes sociais.
Na sequência deste comunicado, artistas que faziam parte da abertura da digressão, incluindo Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga, anunciaram que não iam participar nos concertos. “É difícil ver famílias noutras partes do mundo a enterrar as pessoas que amam. Devíamos poder falar sobre a guerra, sobre civis que estão a ser mortos e sobre crianças que merecem crescer", disse, por exemplo, Lukas Graham, numa publicação no Instagram, onde garantiu "amar Ed Sheeran" e estar "grato por tudo o que partilharam". O músico britânico Roger Waters reagiu à polémica esta quarta-feira com um vídeo publicado na rede social X (antigo Twitter), dirigido ao cantor de Shape of You, e não poupou nas palavras: "Algumas pessoas fazem o que está certo. Aquele rapper, o Macklemore, seria uma dessas pessoas. E há pessoas que são uns idiotas, como tu, que fazem o que está errado."
Tudo começou quando, a 4 de setembro, no Estádio MetLife, em Nova Jérsia, Macklemore explicou que, em parte, aceitara participar na digressão para poder levar a mensagem “Free Palestine” ["Palestina Livre", em português] a palco.
"O Ed estava numa situação complicada. Ele sabia disso. A sua habitual postura apolítica estava a ser posta à prova como nunca antes. Ele disse-me que as palavras 'Palestina Livre' e a imagem da bandeira palestiniana eram ofensivas para muitas pessoas com quem falava. Eu disse-lhe que, se essas palavras fossem mais ofensivas do que as dezenas de milhares de crianças palestinianas a serem mortas por Israel, então havia uma discrepância fundamental entre a posição dessas pessoas e a minha", disse Macklemore numa publicação nas redes sociais, após ter sido tornado público o seu afastamento da digressão.